A pesquisa não cria crise; ela apenas mede o tamanho dela.
A pesquisa A Tribuna/Data Control transformou em dado concreto uma percepção que já circulava entre a população de Cruzeiro do Sul: a gestão do prefeito Zequinha Lima aparece com apenas 4,9% de aprovação. Em meio ao desgaste, o prefeito intensificou agendas com lideranças estaduais, como a recente visita à vice-governadora Mailza Assis e ao prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, movimentos que indicam busca por reforço nas articulações políticas diante do cenário atual.
O que explica esse nível de desgaste? A resposta não exige interpretações complexas. Basta acompanhar o noticiário local e as redes sociais em 2026. Páginas de cobertura urbana, como a @noticias_do_juruaoficial, passaram a funcionar como termômetro do sentimento popular e expõem um ponto central da insatisfação: a distância entre as promessas anunciadas e a execução efetiva das obras, especialmente na área de infraestrutura urbana.
Nas redes sociais, moradores passaram a expor de forma recorrente a situação das vias urbanas, com registros de buracos em pontos estratégicos da cidade e críticas à manutenção baseada quase exclusivamente em operações paliativas. Nesse ambiente, a narrativa institucional perde força diante da experiência cotidiana da população.
Em fevereiro de 2026, a situação se agravou com a cheia do Rio Juruá. Após o nível atingir 11,89 metros, a prefeitura decretou Situação de Emergência nível II. Mais de 6.600 pessoas foram afetadas, especialmente nos bairros Miritizal e Várzea. O episódio reacendeu críticas recorrentes sobre a ausência de medidas estruturais permanentes para enfrentar o período de inverno amazônico, mantendo comunidades ribeirinhas e áreas periféricas em condição de vulnerabilidade.
A análise política, no entanto, precisa ir além da superfície. A baixa aprovação decorre exclusivamente de fatores locais ou também reflete mudanças no ambiente nacional de financiamento dos municípios? A mesma indagação foi levantada pelo cronista político Crica em sua coluna deste sábado, ao mencionar o impacto recente das decisões judiciais sobre a liberação de recursos federais.
Outro ponto sensível envolve a gestão das transferências especiais. Levantamento da organização Transparência Brasil, publicado em 7 de abril de 2025, apontou falhas no controle e na prestação de contas desses recursos. Segundo o relatório, de mais de R$ 9 milhões recebidos por Cruzeiro do Sul via emendas pix até julho de 2024, não havia registro de prestação de contas no sistema correspondente.
A ausência de prestação de contas produziu efeito direto. O município passou à condição de “Impedido” para receber novos repasses via transferências especiais. O bloqueio não decorre de fator externo, mas de pendências administrativas não regularizadas, o que mantém restrita a entrada de novos recursos mesmo diante de previsões orçamentárias já desenhadas.
A pesquisa não cria crise; ela apenas mede o tamanho dela. Em Cruzeiro do Sul, a conta entre promessa, execução e transparência chegou ao eleitor. E eleitor, quando sente no cotidiano aquilo que não vê nas entregas, costuma registrar sua opinião sem rodeios