Educação

Analfabetismo no Acre cai, mas permanece acima da média nacional, apontam dados do IBGE

Published

on

O Acre registrou queda nos índices de analfabetismo ao longo da última década, mas segue com taxa acima da média nacional, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022 e em levantamentos posteriores da PNAD Contínua. As informações mostram que, embora haja avanço consistente, o problema permanece concentrado entre a população mais velha, grupos de menor renda e determinados territórios do estado.

De acordo com o Censo 2022, o Acre possuía 608,9 mil pessoas com 15 anos ou mais. Desse total, 535 mil sabiam ler e escrever um bilhete simples, enquanto 78,9 mil não dominavam essa habilidade básica. A taxa de analfabetismo nessa faixa etária foi de 12,1%, uma redução significativa em relação a 2010, quando o índice era de 16,6%. Em termos proporcionais, a queda foi de 27,1% em 12 anos, mantendo uma trajetória de redução observada também nos censos anteriores, de 1991 a 2000 e de 2000 a 2010.

Advertisement

Os dados mais atuais do IBGE, divulgados em janeiro de 2026 a partir do estudo “Síntese de Indicadores Sociais”, indicam que a taxa de analfabetismo no Acre chegou a 9,4%. Apesar da melhora, o índice permanece acima da média nacional, que foi de 5,3% em 2024, conforme a PNAD Contínua. O levantamento aponta que a redução do analfabetismo no país tem ocorrido de forma gradual desde 2016, mas com forte concentração do problema entre pessoas idosas e em situação de maior vulnerabilidade social.

A análise por faixa etária confirma esse padrão também no Acre. Os menores índices de analfabetismo estão entre jovens de 15 a 24 anos, com percentuais inferiores a 1%, enquanto as taxas aumentam progressivamente com a idade, alcançando os níveis mais elevados entre pessoas com 65 anos ou mais. Esse recorte etário ajuda a explicar por que a redução do analfabetismo ocorre de forma mais lenta, mesmo com a ampliação do acesso à educação básica nas últimas décadas.

As diferenças territoriais dentro do estado também são relevantes. Em 2022, apenas quatro municípios apresentaram taxas de analfabetismo inferiores à média estadual, com destaque para Rio Branco, que registrou cerca de 7%, além de Brasiléia, Epitaciolândia e Acrelândia. Por outro lado, municípios como Marechal Thaumaturgo, Feijó e Santa Rosa do Purus concentraram índices superiores a 22%, evidenciando desigualdades regionais associadas a fatores socioeconômicos, acesso a serviços públicos e características populacionais.

Advertisement

O Censo 2022 também trouxe dados específicos sobre a população indígena no Acre. Entre as 17.452 pessoas indígenas com 15 anos ou mais, a taxa de alfabetização foi de 76%, enquanto o analfabetismo alcançou 24%, quase o dobro da média estadual. Municípios com maior presença indígena concentraram os percentuais mais elevados, reforçando a necessidade de políticas educacionais adaptadas às realidades culturais e territoriais dessas populações.

No comparativo nacional, o Acre apresenta desempenho intermediário. Embora tenha taxa de analfabetismo inferior à de todos os estados do Nordeste, permanece com o pior índice da Região Norte. Em 2022, estados como Santa Catarina e o Distrito Federal registraram taxas de alfabetização acima de 97%, enquanto Alagoas e Piauí ficaram abaixo de 83%, reduzindo a diferença entre as unidades da federação, mas mantendo contrastes significativos entre regiões do país.

Os dados do IBGE indicam que a continuidade da redução do analfabetismo no Acre depende do enfrentamento das desigualdades etárias, territoriais e socioeconômicas, além da ampliação de políticas voltadas à alfabetização de adultos e populações específicas. O avanço registrado nos últimos anos sinaliza mudança estrutural, mas os números atuais mostram que o desafio permanece como uma das principais questões educacionais do estado.

Advertisement

Tendência

Sair da versão mobile