Na entrevista concedida ao Epop, na cobertura especial sobre o Encontro do GCF no Acre, o ex-governador do Acre, Binho Marques, trouxe uma defesa contundente do Governo da Floresta como um projeto político com raízes sociais e compromisso com a justiça ambiental. Mais do que ações técnicas, ele reforça a centralidade da política como meio de transformação coletiva.
“Os projetos que o Chico desenvolveu com a Mary Allegretti quando era presidente do Sindicato Rural de Xapuri foram protótipos de políticas públicas. Eles pensavam grande, pensavam em algo que no futuro se tornasse política pública”, afirmou. Para Binho, a experiência dos seringueiros e das comunidades da floresta não apenas inspirou, mas deu base concreta à política implementada no Acre. “Quando assumimos o governo, demos apenas escala ao que já fazíamos com o Conselho Nacional dos Seringueiros.”
A defesa do Estado como agente articulador de soluções sustentáveis atravessa toda a entrevista. “Queríamos colocar o Acre na cena global das mudanças climáticas também como parte da solução. A gente dizia, com certa arrogância (eu admito): ‘o que o mundo pensa, o Acre faz’.”
Foto: Gleilson Miranda/
Na parte final da entrevista, ao ser perguntado sobre qual mensagem deixaria para os atuais gestores da agenda ambiental, Binho Marques foi direto: “Olha, a experiência me diz, depois de ter trabalhado com gestão pública de 1993 até 2016, que para uma política pública dar certo, ela precisa ser muito simples. Mas ser simples em política pública não significa, de modo algum, ser simplória.”
Para ele, o problema da política climática atual muitas vezes está na falta de repertório técnico e político de quem formula: “Infelizmente, o que mais vejo hoje são gestores sem repertório, que se apoiam no populismo, no clientelismo ou em intuições sem base de evidências científicas.” E completa: “Ser simples é fazer bem feito, com todos os componentes conectados. E política pública climática precisa partir do território e das pessoas.”
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Ao encerrar sua fala, Binho lamenta os rumos posteriores ao seu governo, mas mantém a confiança na capacidade de reconstrução do Acre: “Lamento que o Governo da Floresta tenha sido interrompido abruptamente depois da minha gestão. Tivemos quatro governos que variaram da estagnação ao retrocesso. Mas o Acre é valente. E o futuro a Deus pertence.”