O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, visitou nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, a Casa de Migrantes mantida pela Prefeitura e comentou a situação de venezuelanos acolhidos na capital acreana, relacionando o fluxo migratório à crise política e social na Venezuela e avaliando que mudanças recentes no país vizinho podem abrir caminho para o retorno de parte dessas pessoas aos seus locais de origem.
Durante a visita, Bocalom afirmou que o deslocamento de famílias venezuelanas é resultado direto do regime político do país e declarou que “é uma tristeza saber que em alguns lugares do mundo o comunismo ainda consegue expulsar pessoas, famílias nascidas no seu país”. Segundo o prefeito, mais de 8 milhões de venezuelanos deixaram a Venezuela nos últimos dez anos, parte deles atravessando o Brasil e passando pelo Acre. Ele destacou que apenas em 2025 mais de 2.100 venezuelanos foram atendidos em Rio Branco, número que não inclui aqueles que seguem viagem sem permanecer no município.
Bocalom relatou que muitos dos migrantes chegam ao Acre em situação de vulnerabilidade, após enfrentarem dificuldades relacionadas à falta de alimentos, impactos psicológicos e episódios de violência. “Quando você não está bem no seu país, você procura outro. Foi isso que aconteceu com os venezuelanos, que saíram de lá e parte deles passou por aqui e ainda está aqui”, afirmou. Segundo ele, a Casa de Migrantes abriga atualmente pessoas de diferentes perfis, incluindo idosos e pessoas com deficiência, como cadeirantes que utilizam o espaço durante o deslocamento pelo Brasil.
O prefeito destacou que a Prefeitura de Rio Branco tem assumido custos e responsabilidades no acolhimento, mesmo considerando que a política de atendimento a refugiados deveria ser conduzida pelo governo federal. “A nossa prefeitura procurou sempre dar carinho e acolhimento a esses irmãos, porque são seres humanos do mesmo jeito que nós e estavam precisando de ajuda”, disse. Ele acrescentou que, apesar do apoio federal, o município tem arcado com parte significativa das despesas, assim como outras prefeituras do Acre, a exemplo de Assis Brasil, que também recebe migrantes em trânsito.
Ao comentar os acontecimentos recentes na Venezuela, Bocalom avaliou que a intervenção dos Estados Unidos no país vizinho gerou expectativa entre os migrantes. Para ele, o cenário pode representar uma possibilidade de retorno. “A esperança deles é de poder retornar para o seu país. É lá que estão seus parentes, é lá que pretendiam viver o resto da vida, mas infelizmente tiveram que sair. Agora, com essa libertação que está sendo realizada lá na Venezuela, tenho certeza absoluta de que boa parte dessas pessoas poderá, a partir daqui, retornar”, afirmou.