MEIO AMBIENTE

Calor pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até 2100, aponta Embrapa

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Mapas de risco climático elaborados pela Embrapa Hortaliças indicam que o cultivo de alface em campo aberto pode se tornar inviável em praticamente todo o território brasileiro até o fim do século, cenário divulgado em 2 de setembro de 2025 e construído com dados do Inpe e modelos utilizados pelo IPCC. A avaliação aponta risco alto ou muito alto em grande parte do País, com o verão como período mais crítico.

O estudo considerou dois cenários de clima futuro, um com controle parcial das emissões e outro com aumento contínuo até 2100, ambos desfavoráveis ao cultivo tradicional. Em faixas do território, as temperaturas no verão podem ultrapassar 40 °C, acima do ideal para a cultura. A análise foi estruturada por quatro intervalos temporais — do presente a 2040, de 2041 a 2070 e de 2071 a 2100 — comparados ao período histórico de 1961 a 1990.

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Entre as consequências do calor estão desordens fisiológicas. A queima de borda (tipburn) está associada à deficiência de cálcio sob altas temperaturas e excesso de umidade, com surgimento de manchas escuras nas folhas. Temperaturas médias acima de 25 °C favorecem o florescimento precoce, com perda de padrão comercial por alongamento do caule, redução do número de folhas e maior produção de látex.

Como alternativas de adaptação, os pesquisadores citam o uso de cultivares mais tolerantes ao calor e sistemas de cultivo protegido. Segundo o pesquisador da Embrapa Carlos Eduardo Pacheco, “compreender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface, em um país tropical como o Brasil, é essencial para desenhar estratégias de adaptação. Isso permite antecipar impactos e evitar prejuízos”. A equipe também planeja nova fase do trabalho com dados mais precisos e uso de inteligência artificial para ampliar o mapeamento.

Os resultados têm impacto sobre o planejamento da cadeia produtiva, com tendência de redução da janela de plantio ao ar livre, necessidade de investimento em estruturas protegidas, ajuste de calendários e seleção de materiais genéticos por tolerância térmica, especialmente nas regiões e períodos em que o risco é classificado como alto ou muito alto.

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