A Embrapa lançou um protocolo técnico para a produção de mudas de açaí-solteiro (Euterpe precatoria Mart.) com o objetivo de fomentar o cultivo comercial da espécie na Amazônia. A nova metodologia, resultado de sete anos de pesquisa conduzida pela Embrapa Acre, possibilita a oferta de mudas com padrão sanitário, adaptadas ao ambiente regional e resistentes a doenças, como a antracnose.
Voltado a produtores, viveiristas e técnicos, o protocolo responde à demanda por frutas utilizadas principalmente para produção de polpa, um dos pilares da bioeconomia regional. A espécie, nativa da floresta amazônica, é comum nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima, mas seu uso ainda é predominante no extrativismo.
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Com base em experimentos em viveiros e campo, a pesquisa avaliou tipos de recipientes, substratos, sombreamento, adubação, irrigação e controle de doenças. Os dados geraram recomendações sobre substratos leves, sombreamento ideal entre 65% e 75% e uso de fertilizantes de liberação controlada. A metodologia resulta em mudas mais vigorosas e com menor necessidade de replantio.
Segundo os pesquisadores, a produção de mudas viabiliza a implantação de cultivos planejados em áreas alteradas, contribuindo para a redução da pressão sobre florestas nativas. A espécie, que se reproduz apenas por sementes, requer rigor na seleção do material genético.
Em Rondônia, o agricultor Loy Maleski relata que, com o uso de mudas de qualidade e técnicas adequadas de manejo, alcançou produção anual de 30 toneladas de polpa. No Amazonas, produtores de municípios como Anori têm ampliado a área plantada de açaí-solteiro, aproveitando o período de safra diferente do açaí-de-touceira.
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A publicação técnica “Recomendações para a Produção de Mudas de Açaizeiro-Solteiro” reúne as orientações detalhadas sobre o processo e pode ser consultada por interessados em iniciar ou expandir o cultivo.
A iniciativa também se articula com esforços da Embrapa para estabelecer um programa de melhoramento genético da espécie, com foco em produtividade, precocidade e redução da altura das plantas. O protocolo é apontado como estratégico para fortalecer a cadeia do açaí na Amazônia e ampliar a oferta de polpa para os mercados nacional e internacional.