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Falas públicas mostram distância entre Gladson e Bocalom na disputa pelo governo do Acre em 2026

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As entrevistas concedidas pelo governador Gladson Camelí e pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, nas primeiras semanas de janeiro de 2026 funcionaram como um recado direto aos bastidores da política acreana: a sucessão estadual não será construída em consenso. Embora ambos evitem o anúncio formal de rompimento, as declarações expõem projetos incompatíveis e uma disputa que já se organiza fora dos ritos tradicionais de unidade do grupo que hoje comanda o Estado e a capital.

Gladson foi explícito ao tratar do tema, em entrevista ao site Contilnet. Ao comentar a possibilidade de Bocalom disputar o Palácio Rio Branco, afirmou que não pode impedir nenhuma candidatura, mas deixou claro que sua escolha para o governo está definida. O governador reafirmou que será candidato ao Senado Federal e que a atual vice-governadora Mailza Assis é sua candidata ao Executivo estadual, encerrando qualquer expectativa de composição em torno do prefeito da capital. Ao dizer que precisa “montar sua chapa”, Gladson sinalizou que a prioridade do Palácio Rio Branco é garantir a própria sucessão e a estrutura política necessária para a eleição de 2026, mesmo que isso resulte em candidaturas concorrentes no mesmo campo político .

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Bocalom, por sua vez, adotou um discurso que ignora a definição feita pelo governador e coloca sua eventual candidatura como uma decisão pessoal e já amadurecida. Em entrevista ao programa “A Voz da Cidade”, o prefeito afirmou que a motivação para disputar o governo não passa apenas por estratégia eleitoral ou pesquisas, mas por uma convicção própria, ao declarar que “o meu coração pede”. Ao tratar da possibilidade de deixar a Prefeitura dentro do prazo legal, Bocalom indicou que a hipótese está em avaliação concreta e vinculou o desejo de concorrer ao que considera resultados do seu mandato em Rio Branco .

O contraste entre as falas é interpretado nos bastidores como um movimento de independência política do prefeito em relação ao governador. Enquanto Gladson trabalha para consolidar Mailza Assis como herdeira do governo e organiza sua transição para o Senado, Bocalom se coloca como alternativa paralela, sem buscar, ao menos publicamente, o aval do chefe do Executivo estadual. O silêncio do prefeito sobre a candidatura de Mailza, somado à insistência em manter o próprio nome no jogo, reforça a leitura de que não há acordo em construção.

As declarações também reposicionam outras peças do tabuleiro. Bocalom afirmou que Gladson Camelí e Márcio Bittar são seus candidatos ao Senado, gesto visto como tentativa de preservar pontes, mesmo diante da divergência no plano estadual. Já no entorno do governo, a previsão de mudanças administrativas a partir de abril, quando Gladson deve se afastar do cargo, é tratada como parte da estratégia para dar visibilidade e musculatura política a Mailza Assis no período pré-eleitoral.

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Foto: Secom

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