A névoa espessa que engole o horizonte matinal no Rio Envira, em Feijó, não apaga a memória das águas que forjaram a nossa integração. Na silhueta solitária da pequena balsa que corta o espelho d’água sob a modesta cobertura de lona, repousa a lembrança viva de um Acre profundo, um tempo anterior ao asfalto e ao aço das pontes da BR-364, quando a vida e a resistência das pequenas cidades no caminho dependiam do compasso lento das velhas balsas de travessia.
Cruzar os barrancos não era apenas vencer a estrada, mas cumprir um rito de paciência imposto pela força do rio, onde viajantes exaustos se igualavam na espera e no respeito à imensidão amazônica.
Foto de Sérgio Vale – @sergiovaleac