Uma pesquisa científica conduzida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), em colaboração com a Embrapa Meio Ambiente (SP), a Universidade de Brasília (UnB) e a Fazenda Malunga (DF), buscou orientar o uso eficiente de abelhas-sem-ferrão na polinização de hortaliças em ambientes protegidos, como estufas. O trabalho, integrado ao projeto liderado pela pesquisadora Carmen Pires, teve como foco dois desafios: a aclimatação desses insetos às condições específicas das estufas brasileiras e a escassez de colônias para atender à crescente demanda.
Durante quatro anos, foram selecionadas três espécies de abelhas-sem-ferrão para os experimentos: moça branca (Frieseomelitta varia), mandaguari (Scaptotrigona cf. postica) e mandaçaia (Melipona quadrifasciata). Os comportamentos dessas espécies em relação a diferentes condições de luminosidade e temperatura foram minuciosamente avaliados.
O desafio de aclimatação foi destacado, especialmente em ambientes cobertos com materiais que filtram os raios ultravioletas (UV). Enquanto a maioria das estufas no Brasil utiliza filmes plásticos que filtram mais de 90% dos raios UV para desorientar insetos-pragas, as abelhas-sem-ferrão também se orientam por meio desses raios. A pesquisa revelou que filmes plásticos que filtram cerca de 40% da luz UV proporcionam voos orientados, permitindo que as abelhas polinizem as flores.
Outro obstáculo enfrentado foi a falta de controle de temperatura na maioria dos ambientes cobertos, levando à necessidade de aumentar o tamanho das estufas. Com condições ideais de alimentação, temperatura e luminosidade, a pesquisa identificou as preferências alimentares de cada espécie em relação às culturas-alvo, como o tomate italiano, cuja polinização é mais eficiente com a abelha mandaçaia.
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Na Fazenda Malunga, após os experimentos, o empresário Joe Valle optou por adotar o uso das abelhas-sem-ferrão na polinização de tomateiros orgânicos cultivados em estufas, observando um aumento significativo de 20% na produtividade. Além disso, as abelhas evitam o alastramento de fungos nas plantas, proporcionando uma alternativa sustentável e eficaz para a polinização em ambientes protegidos. O sucesso da pesquisa sugere não apenas benefícios à produção agrícola, mas também abre oportunidades de mercado para meliponicultores.