MEIO AMBIENTE

Região da AMACRO concentra mais de 70% do desmatamento recente na Amazônia Ocidental

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A fronteira entre Amazonas, Acre e Rondônia se consolidou como a principal zona de desmatamento da Amazônia entre 2018 e 2022. Segundo estudo divulgado pela Agência Fapesp, a área conhecida como AMACRO — formada por 32 municípios e abrangendo cerca de 454 mil quilômetros quadrados — foi responsável por 76% da perda de floresta registrada nos três estados nesse período.

A expansão da fronteira agropecuária é apontada como o principal fator que impulsionou o desmatamento. A região, criada originalmente como Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunã-Madeira, passou a atrair grileiros e pecuaristas interessados na valorização de terras e na abertura de novas áreas para criação de gado. O movimento, segundo o levantamento, reproduz o padrão histórico da conversão florestal em pastagens na Amazônia. Dados do MapBiomas mostram que, entre 1985 e 2020, 99% dos 44,5 milhões de hectares desmatados no bioma foram destinados à agropecuária, sendo 86% transformados em pasto.

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A análise geoespacial apresentada pela Fapesp indica que o fenômeno da AMACRO não é isolado, mas parte de um processo coordenado que combina especulação fundiária, ausência de fiscalização e ocupação de terras públicas. Essa combinação transformou a região em um novo polo de conflito socioambiental, pressionando comunidades tradicionais e unidades de conservação.

Os pesquisadores destacam que a criação da zona, embora proposta sob o discurso do desenvolvimento sustentável, sinalizou ao mercado uma abertura para expansão de commodities e exploração de novas fronteiras. “A AMACRO tornou-se a vanguarda da conversão de floresta em áreas agropecuárias, repetindo o modelo do antigo arco do desmatamento”, aponta o relatório.

A pressão crescente sobre os territórios amazônicos reacende o debate sobre políticas públicas de controle e fiscalização ambiental. Especialistas defendem que o Estado precisa reforçar sua presença institucional e promover alternativas econômicas que reduzam a dependência da pecuária extensiva. A tendência observada na AMACRO, segundo o estudo, evidencia a urgência de um novo pacto regional para conter a devastação e recuperar áreas degradadas.

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Fonte: clickpetroleoegas

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