Com a chegada da estação chuvosa no estado do Acre, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) iniciou a operação especial do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) da bacia do Rio Acre, visando o monitoramento contínuo dos níveis fluviais para antecipar cenários de risco. A medida, que concentra atenção no período compreendido entre dezembro e abril, tem como objetivo fornecer dados técnicos e previsões hidrológicas para subsidiar as ações das defesas civis estaduais e municipais, além de outros órgãos públicos, na proteção das populações de municípios como Brasiléia, Epitaciolândia, Rio Branco e Xapuri.
A Bacia do Rio Acre é classificada tecnicamente como uma das mais vulneráveis a eventos hidrológicos extremos no território nacional, apresentando histórico tanto de cheias severas quanto de secas críticas. Para mitigar os impactos desses fenômenos, o SGB mantém uma articulação direta com as salas de situação e a Defesa Civil do estado, estabelecendo um fluxo de troca de informações que ocorre ao longo de todo o ano. Durante os eventos extremos, essa cooperação é intensificada com a disponibilização de dados em tempo real, fornecendo suporte técnico para a tomada de decisão por parte dos gestores locais.
O monitoramento realizado pelo SGB envolve a operação de nove estações fluviométricas, responsáveis por medir os níveis e vazões dos rios, em conjunto com estações pluviométricas que registram os índices de chuva. A infraestrutura de coleta de dados integra ainda informações obtidas via satélite, referentes à precipitação e evapotranspiração. As equipes de campo coletam e transmitem esses dados em tempo real, alimentando modelos matemáticos que permitem não apenas a observação do cenário atual, mas a projeção futura do comportamento dos rios.
A dinâmica de divulgação das informações segue protocolos estabelecidos conforme a gravidade da situação hidrológica. Durante a operação padrão na estação chuvosa, o acompanhamento resulta na emissão de boletins semanais. No entanto, quando os níveis dos rios ultrapassam as cotas de alerta ou quando as equipes técnicas identificam risco iminente de inundação, a frequência de emissão dos documentos aumenta, passando a incluir previsões de níveis. Nessas situações críticas, os boletins são enviados pelo menos duas vezes ao dia às autoridades competentes.
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As previsões geradas pelo sistema variam de acordo com a localidade monitorada. O horizonte de previsão pode ser de até um dia para determinados pontos, chegando a até 15 dias de antecedência para a capital, Rio Branco. Segundo técnicos do SGB, a capacidade de antever o comportamento do rio permite que a população e os órgãos gestores identifiquem áreas de risco e planejem ações de resposta com maior antecedência.
O acesso público às informações é viabilizado por meio da plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE), onde os dados das estações podem ser acompanhados em tempo real. A ferramenta disponibiliza também os boletins detalhados, contendo o monitoramento hidrológico e as previsões atualizadas. A iniciativa busca alinhar o conhecimento geocientífico à gestão pública, fornecendo base técnica para reduzir prejuízos materiais e aumentar a segurança das comunidades ribeirinhas frente às oscilações do regime hídrico da região.