O 1º Encontro Nacional de Comunicação Indígena começou nesta quinta-feira (28) em Belém do Pará, reunindo cerca de 100 comunicadores de 62 povos indígenas de todos os biomas do Brasil. O evento, que segue até domingo (31), tem como principal objetivo a construção de um plano estratégico de comunicação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro na capital paraense.
Realizado pela Mídia Indígena em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas e com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o encontro inaugurou a Casa Maraká, espaço de comunicação e arte em Belém. A programação reúne jornalistas, cineastas, pesquisadores, lideranças e comunicadores de base, com atividades que incluem mesas de debate, rodas de conversa e oficinas práticas de produção audiovisual, entrevistas e criação de acervos.
Priscila Tapajowara, coordenadora nacional da Mídia Indígena, destacou a contribuição da Funai para viabilizar a participação dos povos. “Sabemos que existem territórios que apresentam dificuldades de saída da aldeia para chegar até a cidade e a Funai contribuiu para essa logística dos parentes para chegarem em Belém”, afirmou.
Segundo Beka Munduruku, vice-secretária da Mídia Indígena, o encontro é resultado de um processo de articulação de anos. “Esse é o primeiro encontro de comunicadores indígenas do Brasil, algo que a gente vinha preparando há muito tempo. A ideia é fortalecer os comunicadores da base e garantir esse reconhecimento, para que a gente fale por nós mesmos, com nossa voz, nossa vivência e nossa visão de mundo”, disse.
O evento também celebra os 10 anos da Mídia Indígena, criada em 2015 e hoje referência na articulação de comunicadores indígenas. Durante os quatro dias, temas como combate à desinformação, estratégias de denúncia, visibilidade e memória da comunicação indígena estão em pauta, divididos em cinco eixos: identidade, formação técnica e política, articulação em rede, estratégias para a COP30 e campanhas de impacto.
A secretária dos Povos Indígenas do Pará, Puyr Tembé, ressaltou o alcance da iniciativa. “Não se trata só de resistência, mas de protagonismo. Os povos indígenas estão mostrando que têm voz, conhecimento e propostas reais para enfrentar as mudanças climáticas e pensar o futuro da humanidade”, afirmou.
Dados da organização apontam que um mapeamento prévio identificou cerca de 1,2 mil comunicadores indígenas nos biomas brasileiros. No encontro, 135 pessoas participam, sendo 92 comunicadores, entre eles 54 mulheres e 38 homens.
A programação inclui ainda talkshows, como o realizado no dia 29 sobre inteligência artificial e seus impactos na comunicação e nos direitos humanos, além de discussões sobre o papel dos comunicadores indígenas na denúncia de violências e na construção de narrativas próprias. O encontro será encerrado com a leitura de uma carta da comunicação indígena, que deve orientar a atuação coletiva dos comunicadores nos próximos anos e durante a COP30.