O Acre foi reconhecido nacionalmente ao receber o prêmio de melhor trabalho científico no Congresso Brasileiro de Hepatologia 2025, realizado no Rio de Janeiro. O estudo premiado, intitulado Transplante hepático por hepatite delta na Amazônia Ocidental: sobrevida global e análise virológica preliminar, foi desenvolvido pela Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em parceria com o Laboratório Mérieux, a Fiocruz Rondônia e a Universidade Federal do Acre (Ufac).
A pesquisa, coordenada pelo infectologista Thor Dantas, demonstrou que é possível realizar transplantes de fígado em pacientes acometidos pela hepatite delta com segurança e menor custo. O estudo foi baseado em casos atendidos no programa de transplantes da Fundhacre e trouxe novas evidências sobre o comportamento do vírus antes, durante e após o transplante. “O vírus da hepatite delta é o mais agressivo para o fígado e também o mais difícil de tratar. Por muito tempo, não se sabia qual a forma mais segura de realizar o transplante nesses pacientes. Nosso estudo mostra que é possível fazer isso com qualidade, segurança e resultados muito positivos”, afirmou Dantas.
O avanço foi possível graças ao desenvolvimento do exame de carga viral para hepatite delta, criado no Laboratório Mérieux em parceria com a Fiocruz Rondônia. O exame permite acompanhar o comportamento do vírus antes e depois do transplante, auxiliando as equipes médicas na definição do tratamento mais adequado. A partir dos resultados, os pesquisadores constataram que é possível evitar a recorrência do vírus com o uso de medicamentos antivirais orais, sem necessidade de terapias de alto custo como a imunoglobulina. A descoberta representa economia para o sistema público de saúde e amplia o acesso ao transplante para pacientes de toda a região amazônica.
A pesquisa envolveu 29 pacientes transplantados por hepatite delta no Acre, um dos maiores grupos já estudados sobre o tema no mundo. O trabalho se destacou entre dezenas de apresentações no congresso e recebeu o principal prêmio da edição. Para a presidente da Fundhacre e coautora do estudo, Sóron Steiner, o reconhecimento consolida o compromisso do Acre com a pesquisa em saúde e o fortalecimento da ciência regional. “É um orgulho enorme ver o Acre ser reconhecido dessa forma. Esse trabalho nasceu aqui, com profissionais que acreditam no poder da pesquisa e da saúde pública. Mostra que podemos fazer ciência de ponta, com impacto real na vida das pessoas”, declarou.