Economia e Empreender

Brasil chega a 25 milhões de pequenos negócios e acesso ao crédito ainda é desafio

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O Brasil chegou a 25 milhões de pequenos negócios formalizados, dez vezes mais que os 2,5 milhões registrados há cerca de 20 anos. Os números foram apresentados pelo presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, em entrevista publicada nesta sexta-feira (25), na qual ele apontou o acesso ao crédito, os juros elevados e a necessidade de maior previsibilidade econômica entre os principais desafios enfrentados pelos empreendedores.

Soares afirmou que outros 43 milhões de brasileiros têm interesse ou intenção de abrir um negócio. Para ele, o avanço do empreendedorismo precisa estar acompanhado de condições que permitam aos donos de pequenos negócios ampliar a renda e manter suas atividades.

“O empreendedorismo só tem sentido se gerar rentabilidade, qualidade de vida e renda digna para as pessoas”, afirmou.

De acordo com dados apresentados pelo presidente do Sebrae, a renda média do brasileiro que atua como empreendedor formalizado chega a R$ 6,4 mil. A formalização também pode ampliar em até três vezes o rendimento e permite que os pequenos negócios tenham acesso a mercados que exigem emissão de nota fiscal, incluindo grandes empresas e compras realizadas pelo poder público.

O crédito, no entanto, continua entre os principais obstáculos. Em 2023, 78% das micro e pequenas empresas não conseguiram acessar financiamento. Segundo Soares, esse percentual diminuiu nos últimos anos, mas ainda permanece entre 60% e 70%. Para ele, o nível das taxas de juros mantém o custo do dinheiro elevado e limita a expansão dos negócios.

A simplificação para abertura de empresas também avançou. O tempo médio necessário para iniciar formalmente um negócio, que era de aproximadamente quatro dias em 2019, caiu para cerca de 23 horas.

Parte dessas mudanças ocorreu após a criação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, sancionada em 2006 e que completa 20 anos em 2026. A legislação estabeleceu tratamento diferenciado aos pequenos negócios e abriu caminho para o Simples Nacional e, posteriormente, para a criação do Microempreendedor Individual (MEI).

Entre os próximos desafios, Rodrigo Soares citou ainda a atualização do limite de faturamento do MEI, mudanças no Simples Nacional, maior estabilidade econômica e ampliação do acesso a novas tecnologias. O presidente do Sebrae também defendeu maior participação dos pequenos negócios na indústria e na transformação de matérias-primas brasileiras em produtos e serviços.

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