Uma oficina realizada em Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, reuniu profissionais da saúde indígena para um treinamento voltado ao atendimento de povos isolados e de recente contato. A formação, iniciada em 24 de julho, foi organizada pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Juruá, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
Coordenado por Marcelo Torres, chefe do Serviço de Localização de Povos Indígenas Isolados da Funai, o curso abordou estratégias para garantir que o atendimento respeite a autonomia e os costumes dessas comunidades. Torres destacou que a política de não-contato, estabelecida em 1987, continua sendo um eixo central da proteção aos povos isolados. Ele ressaltou ainda a importância da participação de representantes do povo Yura, que compartilharam experiências vividas desde o primeiro contato em 2014.
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O coordenador do DSEI Alto Rio Juruá, Isaac Pyãko, afirmou que a iniciativa é um marco para a região, ao preparar equipes multidisciplinares — incluindo psicólogos, médicos, enfermeiros e assistentes sociais — para lidar com situações específicas de contato. Segundo ele, conhecer a língua, os costumes e as normas jurídicas é essencial para um atendimento eficiente e seguro.
Além das orientações técnicas, a capacitação incluiu debates sobre a comunicação intercultural e a necessidade de aprendizado das línguas indígenas como forma de facilitar o diálogo e a compreensão mútua.