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Carne Baixo Carbono: Embrapa apresenta critérios do novo selo lançado na COP30

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O selo Carne Baixo Carbono, lançado em 16 de novembro durante a COP30 em Belém, estabelece um protocolo de produção destinado a identificar pecuaristas que aplicam práticas voltadas à redução de emissões de gases de efeito estufa. A certificação foi apresentada pela Embrapa Gado de Corte em parceria com a MBRF e com apoio da ONG Amigos da Terra Amazônia Brasileira, com o objetivo de criar um padrão nacional para propriedades que conciliam produtividade com balanço reduzido de carbono.

O pesquisador Roberto Giolo de Almeida explicou, em entrevista ao programa DBO Destaca, que o sistema parte de critérios técnicos definidos para medir emissões, avaliar o manejo das pastagens, verificar o controle zootécnico e confirmar o uso de tecnologias que reduzam impactos ao longo do ciclo produtivo. Segundo ele, a proposta é que as fazendas certificadas passem por auditoria para validar indicadores que incluem eficiência na engorda, manejo adequado do solo, recuperação de áreas degradadas e rastreabilidade dos animais. O pesquisador afirmou que o protocolo “valoriza produtores que já trabalham com práticas alinhadas à mitigação de carbono e orienta quem ainda está em fase de adaptação”.

O selo foi estruturado para garantir que os dados de cada propriedade sejam analisados a partir de parâmetros científicos desenvolvidos pela Embrapa. Durante a apresentação, Roberto Giolo detalhou que o processo de adesão envolve etapas de diagnóstico, adequação do sistema produtivo e certificação externa. Ele observou que a iniciativa também pretende incentivar investimentos em manejo de pastagens, alimentação balanceada e gestão mais precisa das etapas de produção, fatores que influenciam diretamente as emissões por arroba produzida.

Os pecuaristas que aderirem ao protocolo terão acesso a bonificações previstas para a carne certificada, conforme informou o pesquisador. A expectativa é que frigoríficos e compradores passem a remunerar de forma diferenciada o produto oriundo de sistemas com menor emissão. Roberto destacou que “o selo cria uma oportunidade de reconhecimento para propriedades que atuam com base em eficiência e podem demonstrar redução consistente do impacto ambiental”.

A implementação do Carne Baixo Carbono ocorre no contexto de expansão de protocolos sustentáveis na pecuária brasileira e em meio à presença crescente do tema nas negociações internacionais. A COP30 abriu espaço para que iniciativas de mensuração e redução de emissões no setor ganhassem visibilidade e despertassem interesse de compradores externos. A Embrapa avalia que a certificação pode ampliar o acesso da pecuária brasileira a mercados que exigem comprovação de práticas ambientais.

O anúncio do selo também reforça a tendência de integração entre produção e metas climáticas. A avaliação da instituição é que sistemas mais eficientes resultam em menor emissão por unidade produzida, além de contribuir para a recuperação de áreas de pastagem e melhoria do desempenho econômico das fazendas. A certificação funciona como uma ferramenta para demonstrar resultados objetivos e facilitar a comunicação entre produtores, frigoríficos e consumidores.

Fonte: Embrapa

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