A Finep abriu uma chamada voltada à bioeconomia na Amazônia Legal com R$ 100 milhões em subvenção econômica, enquanto uma parceria entre FAPESP e Fapeam reúne R$ 8 milhões para projetos científicos entre pesquisadores de São Paulo e Amazonas, e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) mantém uma seleção em fluxo contínuo para startups que precisam de estrutura de laboratório. As iniciativas vão de cooperação acadêmica a apoio direto a empresas e oferta de infraestrutura para validação tecnológica.
No campo da pesquisa, a chamada Articula/BIO CT&I estabelece prazo de submissão até 23 de março de 2026 e prevê o financiamento de até dez projetos com duração máxima de 36 meses. O orçamento total informado é de R$ 8 milhões, com R$ 6 milhões da FAPESP e R$ 2 milhões da Fapeam. As propostas são organizadas em quatro frentes que incluem governança e modelos de negócios, descarbonização e economia circular, desenvolvimento de bioprodutos e biotecnologias a partir da biodiversidade, além de capital humano e economia criativa. Para participar, a regra central é a coordenação em dupla, com um pesquisador em São Paulo e outro no Amazonas submetendo a mesma proposta nos sistemas das fundações.
No eixo empresarial, a Chamada Finep Amazônia – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional opera em “fluxo contínuo”, no qual empresas podem enviar projetos “a qualquer momento”, sem prazo final definido, com avaliação conforme a chegada das propostas até o limite do orçamento. O recurso informado é oriundo do FNDCT. Entre as condições descritas, o texto registra a retirada da exigência de faturamento mínimo que antes era de R$ 4,8 milhões e a redução do valor mínimo por projeto para R$ 2 milhões, com a exigência de sede ou filial na Amazônia Legal. A abrangência indicada cobre os nove estados da Amazônia Legal, área estimada no documento como cerca de 59% do território nacional, e o recorte do edital aponta foco em desenvolvimento sustentável, avanços tecnológicos, práticas de conservação e valorização da sociobiodiversidade, com expectativa de aplicação no mercado.
Como complemento, o CBA OPEN II aparece no mesmo mapa de oportunidades com uma lógica diferente: em vez de repasse financeiro, o programa oferece acesso a laboratórios, espaços físicos, apoio técnico e mentoria para desenvolvimento de produtos baseados na biodiversidade amazônica. O edital também é descrito como de fluxo contínuo e voltado a startups e pessoas jurídicas com até dez anos de CNPJ, com foco em quem precisa validar tecnologias antes de buscar escala ou investimentos.
Para contextualizar modelos de financiamento com recorte comunitário, o material cita o Edital AMABIO 001/2025, encerrado, estruturado pelo Banco da Amazônia (BASA) em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). A linha priorizou cooperativas, associações e microempresas, excluiu instituições de pesquisa e órgãos governamentais, e limitou os projetos a até 12 meses, com foco em resultados como compra de equipamentos, fortalecimento de gestão e criação de marcas coletivas.
A lista de chamadas em circulação em 2026 indica que os mecanismos estão distribuídos por etapas distintas, do financiamento científico à subvenção para inovação empresarial e à incubação com infraestrutura. O efeito dessas iniciativas, segundo a própria lógica apresentada no material, depende de articulação entre programas e da capacidade de transformar recursos em projetos executados e resultados nos territórios.
Fonte: Revista Amazônia, “Recursos impulsionam futuro da bioeconomia”, publicado em 21 de fevereiro de 2026.