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MEIO AMBIENTE

Editais Finep, FAPESP/Fapeam e CBA OPEN II ampliam linhas de financiamento para bioeconomia na Amazônia em 2026

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A Finep abriu uma chamada voltada à bioeconomia na Amazônia Legal com R$ 100 milhões em subvenção econômica, enquanto uma parceria entre FAPESP e Fapeam reúne R$ 8 milhões para projetos científicos entre pesquisadores de São Paulo e Amazonas, e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) mantém uma seleção em fluxo contínuo para startups que precisam de estrutura de laboratório. As iniciativas vão de cooperação acadêmica a apoio direto a empresas e oferta de infraestrutura para validação tecnológica.

No campo da pesquisa, a chamada Articula/BIO CT&I estabelece prazo de submissão até 23 de março de 2026 e prevê o financiamento de até dez projetos com duração máxima de 36 meses. O orçamento total informado é de R$ 8 milhões, com R$ 6 milhões da FAPESP e R$ 2 milhões da Fapeam. As propostas são organizadas em quatro frentes que incluem governança e modelos de negócios, descarbonização e economia circular, desenvolvimento de bioprodutos e biotecnologias a partir da biodiversidade, além de capital humano e economia criativa. Para participar, a regra central é a coordenação em dupla, com um pesquisador em São Paulo e outro no Amazonas submetendo a mesma proposta nos sistemas das fundações.

No eixo empresarial, a Chamada Finep Amazônia – Bioeconomia e Desenvolvimento Regional opera em “fluxo contínuo”, no qual empresas podem enviar projetos “a qualquer momento”, sem prazo final definido, com avaliação conforme a chegada das propostas até o limite do orçamento. O recurso informado é oriundo do FNDCT. Entre as condições descritas, o texto registra a retirada da exigência de faturamento mínimo que antes era de R$ 4,8 milhões e a redução do valor mínimo por projeto para R$ 2 milhões, com a exigência de sede ou filial na Amazônia Legal. A abrangência indicada cobre os nove estados da Amazônia Legal, área estimada no documento como cerca de 59% do território nacional, e o recorte do edital aponta foco em desenvolvimento sustentável, avanços tecnológicos, práticas de conservação e valorização da sociobiodiversidade, com expectativa de aplicação no mercado.

Como complemento, o CBA OPEN II aparece no mesmo mapa de oportunidades com uma lógica diferente: em vez de repasse financeiro, o programa oferece acesso a laboratórios, espaços físicos, apoio técnico e mentoria para desenvolvimento de produtos baseados na biodiversidade amazônica. O edital também é descrito como de fluxo contínuo e voltado a startups e pessoas jurídicas com até dez anos de CNPJ, com foco em quem precisa validar tecnologias antes de buscar escala ou investimentos.

Para contextualizar modelos de financiamento com recorte comunitário, o material cita o Edital AMABIO 001/2025, encerrado, estruturado pelo Banco da Amazônia (BASA) em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). A linha priorizou cooperativas, associações e microempresas, excluiu instituições de pesquisa e órgãos governamentais, e limitou os projetos a até 12 meses, com foco em resultados como compra de equipamentos, fortalecimento de gestão e criação de marcas coletivas.

A lista de chamadas em circulação em 2026 indica que os mecanismos estão distribuídos por etapas distintas, do financiamento científico à subvenção para inovação empresarial e à incubação com infraestrutura. O efeito dessas iniciativas, segundo a própria lógica apresentada no material, depende de articulação entre programas e da capacidade de transformar recursos em projetos executados e resultados nos territórios.

Fonte: Revista Amazônia, “Recursos impulsionam futuro da bioeconomia”, publicado em 21 de fevereiro de 2026.

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Embrapa identifica duas novas espécies de minhocas em sistemas integrados de produção

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Duas novas espécies de minhocas foram identificadas pela Embrapa em áreas com sistemas integrados de produção no interior de São Paulo. A descoberta foi formalizada em artigo científico publicado em abril e reforça a relação entre práticas conservacionistas no campo e a preservação da biodiversidade do solo.

As espécies descritas foram batizadas de Fimoscolex bernardii e Glossoscolex canchim, ambas da família Glossoscolecidae. O estudo foi assinado por pesquisadores de instituições federais e da própria Embrapa. Uma das espécies homenageia o pesquisador Alberto Bernardi, enquanto a outra faz referência à Canchim, nome ligado à fazenda onde o material foi coletado e também à raça bovina desenvolvida na unidade.

Os exemplares foram encontrados em áreas com integração lavoura-pecuária-floresta, integração lavoura-pecuária, integração pecuária-floresta, pastagens intensivas e extensivas e lavouras anuais sob plantio direto. Depois da coleta, os organismos passaram por triagem e análise morfológica, com avaliação de características externas e estruturas anatômicas internas.

A descoberta amplia o inventário da fauna nativa brasileira e ajuda a medir como diferentes formas de uso da terra afetam a vida no solo. As minhocas têm papel importante na abertura de canais, na fragmentação de resíduos vegetais, no transporte de microrganismos e na mistura de matéria orgânica com minerais, processos ligados à fertilidade e à estrutura do solo.

O registro também chama atenção para a lacuna ainda existente no conhecimento sobre a fauna subterrânea brasileira. Embora o país tenha algumas centenas de espécies descritas, a estimativa é de que esse número real seja muito maior, o que mantém o solo como uma das fronteiras menos conhecidas da biodiversidade nacional.

Fonte: Embrapa

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Força Nacional inclui Acre em plano de 2026 para reforçar combate a incêndios florestais

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O Acre entrou no calendário da Força Nacional para o treinamento de bombeiros militares voltado ao combate a incêndios florestais, numa preparação que ganha peso com a aproximação do período de estiagem na Amazônia. O anúncio foi feito em 16 de maio, dentro de um plano nacional para 2026 que prevê capacitações em 18 estados e tenta antecipar a resposta ao avanço das queimadas.

A proposta é treinar mais de 720 bombeiros ao longo do ano, em turmas de 40 alunos e cursos de 30 dias, com aulas teóricas e atividades práticas. A próxima etapa está marcada para 25 de maio, em Manaus. No caso do Acre, a data da capacitação ainda não foi detalhada, mas a inclusão do estado no cronograma já coloca o efetivo local na rota da preparação montada pela Força Nacional para os meses mais críticos.

O conteúdo do curso reúne sistema de comando de incidentes, atendimento pré-hospitalar tático, técnicas de sobrevivência e combate ao fogo em áreas remotas. A ideia é padronizar procedimentos e fazer com que equipes de estados diferentes cheguem à temporada de incêndios falando a mesma língua em campo. Como resumiu um dos oficiais envolvidos na formação, o treinamento não se limita à qualificação individual e busca garantir atuação integrada, ágil e segura.

A medida também conversa com um histórico recente no estado. Em janeiro de 2025, Cruzeiro do Sul sediou a 100ª edição da Instrução de Nivelamento de Conhecimento da Força Nacional, numa operação que mobilizou quase 120 agentes. A nova etapa, agora com foco florestal, aproxima ainda mais o Acre da estratégia federal de enfrentamento a queimadas e incêndios em vegetação, problema que todos os anos pressiona as corporações locais durante a seca.

No mesmo movimento, a Força Nacional abriu cadastro para veteranos da segurança pública, entre eles policiais, bombeiros e peritos inativos há menos de cinco anos. A medida amplia a reserva de pessoal disponível para missões emergenciais e reforça a estrutura que deve ser acionada quando o fogo avançar com mais força sobre a região.

Foto: Secom/AC

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Fragmentação da vegetação nativa no Brasil cresce 163% em 38 anos e cria 7,1 milhões de áreas isoladas

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O Brasil mais que dobrou o número de fragmentos de vegetação nativa em quase quatro décadas. As porções isoladas passaram de 2,7 milhões, em 1986, para 7,1 milhões, em 2023, alta de 163%. O avanço está ligado ao desmatamento e à abertura de áreas para agropecuária, urbanização e estradas, que recortam grandes manchas contínuas de mata e campos em remanescentes menores e mais distantes entre si.

Além de mais numerosos, os fragmentos ficaram menores. A área média caiu de 241 hectares, em 1986, para 77 hectares, em 2023, redução de 68% no período. “Quanto menor for o tamanho dos fragmentos de vegetação nativa, maior será a suscetibilidade à degradação”, afirmou Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas. Ele relaciona o encolhimento dos remanescentes ao aumento do risco de extinções locais, à queda da recolonização por espécies vindas de áreas vizinhas e ao efeito de borda, que se intensifica quando a vegetação fica cercada por áreas alteradas.

O levantamento também aponta que quase 5% da vegetação nativa do país, o equivalente a 26,7 milhões de hectares, está em fragmentos com menos de 250 hectares. O peso desse recorte é maior na Mata Atlântica, onde a condição atinge até 28% da vegetação nativa remanescente, cerca de 10 milhões de hectares. Em número absoluto de fragmentos, Mata Atlântica e Cerrado lideram, com aproximadamente 2,7 milhões cada.

Entre 1986 e 2023, o aumento do número de fragmentos foi maior no Pantanal (350%) e na Amazônia (332%), seguido por Pampa (285%), Cerrado (172%), Caatinga (90%) e Mata Atlântica (68%). Na Amazônia, além da multiplicação dos fragmentos, a queda do tamanho médio foi acentuada: de 2.727 hectares, em 1986, para 492 hectares, em 2023, redução de 82%.

O estudo aponta dinâmicas diferentes por bioma. “Enquanto no Cerrado o aumento no número de fragmentos está associado ao avanço do desmatamento e à divisão de grandes remanescentes de vegetação nativa em áreas menores; na Mata Atlântica, parte desse aumento também pode ser explicada por um processo no sentido oposto ao desmatamento, pelo surgimento de múltiplas áreas de recuperação da vegetação secundária”, disse Natalia Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas.

A análise integra o Módulo de Degradação do MapBiomas e reúne métricas que vão além do desmatamento medido apenas pela perda de área, ao considerar efeitos como fragmentação, borda e fogo. No recorte nacional, até 24% da vegetação nativa remanescente — cerca de 134 milhões de hectares — está potencialmente exposta a pelo menos um vetor de degradação, com a Mata Atlântica como o bioma com maior proporção nessa condição.

Fonte e foto: Agência Brasil

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