MEIO AMBIENTE

Evidências reforçam presença de indígenas isolados na Terra Ituna/Itatá, no Pará

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A Terra Indígena Ituna/Itatá, localizada no estado do Pará e de extensão comparável à cidade de São Paulo, continua sendo alvo de estudos e disputas envolvendo a presença de povos indígenas isolados. Recentes indícios materiais, como um casco de tartaruga e fragmentos de cerâmica, encontrados há três anos, reforçam a hipótese da existência de grupos sem contato permanente com a sociedade envolvente.

A área é protegida desde 2011 por uma portaria que restringe o acesso com o objetivo de preservar territórios onde há registro da presença de indígenas isolados. Apesar da medida, a região tem sofrido com a expansão do desmatamento e a presença de atividades ilegais, como o garimpo, especialmente durante o período do governo federal anterior, quando a proteção foi suspensa, tornando Ituna/Itatá a terra indígena mais desmatada do país à época.

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Relatos de indígenas da Terra Indígena Koatinemo, vizinha à Ituna/Itatá, também indicam encontros e avistamentos de pessoas possivelmente pertencentes a grupos isolados. Organizações indígenas, como a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), denunciam a falta de ações efetivas do Estado para consolidar a proteção da área e exigem a demarcação definitiva do território.

Segundo a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Brasil registra 114 ocorrências de presença de povos isolados na Amazônia. Destes, cerca de um quarto têm confirmação oficial, enquanto os demais, como Ituna/Itatá, permanecem classificados como “fortes indícios” à espera de investigações mais sistemáticas.

Integrantes de comunidades indígenas argumentam que os sinais da presença dos isolados vão além de provas materiais, sendo perceptíveis por ruídos, rastros e alterações no ambiente. Para as lideranças, como a jovem Mita Xipaya, de 24 anos, o conhecimento tradicional deve ser reconhecido como elemento legítimo na proteção desses povos.

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As pressões sobre o território incluem a perda significativa de vegetação nativa. Dados do Instituto Socioambiental indicam que áreas não indígenas perderam quase 30% de sua cobertura vegetal desde 1998, enquanto em terras indígenas delimitadas a redução foi de 2%.

Com a proximidade da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), marcada para ocorrer em Belém sob liderança do presidente Lula, organizações pedem que a demarcação definitiva da Terra Ituna/Itatá seja priorizada. Segundo Toya Manchineri, coordenador-geral da Coiab, a preservação da floresta depende diretamente da permanência dos povos indígenas em seus territórios.

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