O fotógrafo Sérgio Vale publicou nesta terça-feira (5) um relato sobre a cobertura em frente ao Instituto São José, em Rio Branco, e cobrou cautela na divulgação de imagens diante de uma comunidade em luto. “Há dias em que a câmera pesa mais do que qualquer equipamento. Hoje, em Rio Branco, diante do Instituto São José, cada clique atravessou o corpo antes de virar imagem”, escreveu, ao descrever o que viu durante o atendimento de emergência e a espera de familiares por notícias.
Na mensagem, Vale disse que esteve “entre o medo, o silêncio, a correria, o choro contido e a espera angustiada” de quem buscava “um abraço” e “uma confirmação de que tudo ficaria bem”. Ele afirmou que a fotografia alcança “rostos, gestos e movimentos”, mas não registra “o aperto no peito de uma escola tomada pela dor”. “Por trás de cada fotografia existe uma família em aflição, um estudante marcado, um profissional tentando se manter firme, uma comunidade inteira ferida”, publicou.
O texto também foi um recado direto sobre o modo como a tragédia é acompanhada e compartilhada. “Neste momento, antes de qualquer imagem, fica o respeito. Respeito às famílias, aos alunos, aos trabalhadores da escola e a todos que foram atingidos por essa tragédia”, escreveu. Em seguida, pediu que “a solidariedade fale mais alto que o medo” e que “o cuidado seja maior que qualquer registro”, antes de encerrar com uma despedida: “Que as heroínas de hoje descansem em paz”.
O relato foi divulgado após a cobertura do ataque a tiros dentro do Instituto São José, no início da tarde de terça-feira (5), em Rio Branco. Quatro pessoas foram atingidas, entre elas três funcionárias e um aluno. Duas funcionárias morreram no local. Uma terceira funcionária, de 40 anos, e uma estudante, de 11, foram socorridas e levadas ao Pronto-Socorro da capital. A Polícia Militar apreendeu um adolescente de 13 anos, aluno da escola, que assumiu os disparos. O responsável legal pelo menor, proprietário da arma, foi detido. As aulas na rede estadual, municipal e particular foram suspensas por três dias, e o governo anunciou reforço de protocolos de segurança nas escolas, além de apoio psicossocial à comunidade escolar.