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Geoglifos no Acre revelam manejo florestal de povos antigos, segundo pesquisa

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Um estudo realizado em geoglifos localizados no estado do Acre trouxe à tona evidências de que povos pré-colombianos praticavam técnicas de manejo florestal na Amazônia há cerca de dois mil anos. O estudo, publicado na revista científica Proceedings of The National Academy of Sciences, apresenta dados que indicam a utilização de técnicas semelhantes às de agroflorestas, combinando queimas controladas e manejo sustentável da vegetação.

Os geoglifos são grandes desenhos geométricos no solo que foram descobertos à medida que o desmatamento avançou na região. Embora os mais famosos exemplos de geoglifos sejam encontrados nas linhas de Nazca, no Peru, as estruturas descobertas no Acre, diferentes das do Peru, não foram projetadas para serem vistas do alto, o que sugere uma função cerimonial para essas construções.

A pesquisa, conduzida por Jennifer Watling, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), indica que os habitantes da região criaram uma floresta antropizada, ou seja, uma floresta modificada pela ação humana para favorecer o cultivo e a sobrevivência de determinadas espécies vegetais. O estudo desafia a ideia de que as áreas de floresta amazônica são totalmente intocadas pela ação humana.

A descoberta alimenta debates sobre o manejo sustentável da Amazônia e a importância de reconhecer o papel dos povos indígenas na preservação e modificação da paisagem. Os geoglifos, segundo os arqueólogos, poderiam ter sido utilizados em rituais e cerimônias, sendo um indicativo da complexidade cultural das civilizações que habitavam a Amazônia pré-colombiana.

A pesquisa reforça a importância de integrar o conhecimento arqueológico e histórico na formulação de políticas de preservação da floresta amazônica. Além disso, destaca o papel dos antigos habitantes da floresta no desenvolvimento de práticas de uso sustentável da terra, o que pode inspirar abordagens contemporâneas para a preservação do bioma.

Fonte: https://jornal.usp.br/ Foto: Diego Gurgel/Secom

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