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Cultura

Geoglifos da Amazônia ganham exposição permanente no Museu da Amazônia em Manaus

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A exposição “Expedição – Desvelando o Passado Profundo” foi inaugurada nesta sexta-feira (10) no Museu da Amazônia (Musa), em Manaus, e reúne fotografias aéreas de geoglifos escavados há mais de dois mil anos por povos originários. As imagens, registradas por Diogo Gurgel, Hudson Ferreira e Valter Calheiros, mostram as grandes figuras geométricas presentes no Acre, no sul do Amazonas e em Rondônia, revelando estruturas que continuam despertando o interesse da arqueologia.

Os registros foram feitos em diferentes períodos da Amazônia Ocidental e compõem um acervo permanente no Jardim Botânico de Manaus. A mostra é coordenada pelo paleontólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Acre (Ufac), Alceu Ranzi, que há quase cinco décadas se dedica ao estudo dos geoglifos desde que integrou uma expedição liderada pelo arqueólogo Ondemar Dias. Ranzi também é fundador do Instituto Geoglifos da Amazônia, entidade que atua na divulgação e defesa dos sítios arqueológicos. “Os construtores de geoglifos detinham o saber sobre a paisagem e conheciam a geomorfologia para escolher locais elevados e planos, com nascentes de água potável”, explicou o pesquisador.

Estima-se que existam mais de mil sítios arqueológicos identificados nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso. As estruturas, em sua maioria geométricas, permanecem próximas a cursos d’água e variam em tamanho e forma. Ranzi afirma que as pesquisas ainda buscam compreender a extensão e a função dos geoglifos. “Apesar do já longo tempo que se tem conhecimento deles, temos mais perguntas do que respostas”, disse.

Para Hudson Ferreira, do Instituto Geoglifos da Amazônia, as imagens revelam a complexidade do passado e contribuem para o entendimento da ocupação humana na floresta. “Os geoglifos desafiam mitos sobre o vazio verde e inspiram novas práticas no presente. São fontes de pesquisa científica, recursos para a educação e pilares para o turismo sustentável”, afirmou. Já Valter Calheiros, que realizou registros em maio deste ano, destacou a experiência de fotografar as estruturas a partir de um pequeno avião. “A cada amanhecer na floresta, sentia a responsabilidade de fazer registros que nos levem a agir e despertar para a proteção da natureza amazônica”, contou.

Os estudos apontam que os povos do sul do Amazonas iniciaram a construção dos geoglifos ao menos mil anos antes de Cristo e que essa civilização perdurou por cerca de dois mil anos. A floresta, segundo Ranzi, regenerou-se após o fim das construções, cobrindo por séculos os desenhos sob a vegetação. O pesquisador alerta, entretanto, para os riscos impostos pelo avanço do desmatamento e de grandes empreendimentos agrícolas na região de Lábrea e Boca do Acre. “Os geoglifos conhecidos estão em terras particulares. É urgente um trabalho de conscientização sobre a importância desses sítios como patrimônio do Amazonas e do Brasil”, disse.

Ranzi observa que foi justamente o desmatamento que possibilitou a redescoberta das estruturas, ao remover a cobertura florestal que as ocultava. Para ele, o desafio atual é garantir políticas públicas de proteção e incentivo à pesquisa. “Sem essas medidas, muitos geoglifos correm o risco de desaparecer antes mesmo de serem estudados”, concluiu.

Foto: Diego Gurgel

Cultura

Espetáculo “Ouro Branco” do SESI Acre leva história do estado ao palco

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O SESI Acre apresenta o espetáculo “Ouro Branco – Da Revolução à Industrialização”, produção que transforma episódios da história acreana em dança, música e teatro. A montagem percorre desde o período dos seringais e da Revolução Acreana até as transformações econômicas ligadas à industrialização do estado.

A narrativa homenageia homens e mulheres que participaram da formação do Acre, com destaque para os trabalhadores que chegaram à região durante o ciclo da borracha. O látex, conhecido como “ouro branco”, tornou-se um dos principais símbolos desse período e dá nome ao espetáculo.

Por meio das coreografias, a apresentação aborda temas como trabalho, migração, identidade e desenvolvimento, aproximando o público de diferentes momentos da trajetória acreana.

A montagem reúne alunas de balé do SESI Acre e grupos convidados, utilizando a dança como fio condutor para apresentar a passagem de uma economia marcada pelos seringais para novas etapas de desenvolvimento industrial.

“Ouro Branco” integra as ações culturais do SESI Acre e reforça a proposta de preservar a memória regional por meio das artes.

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Cultura

‘Cabeças Cortadas’, de Glauber Rocha, terá versão restaurada em 4K em 2027

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O filme “Cabeças Cortadas”, dirigido por Glauber Rocha e lançado em 1970, ganhará uma versão restaurada em 4K em 2027. A produção hispano-brasileira, rodada na Catalunha, no norte da Espanha, passará por tratamento de imagem, correção de cores e recuperação do som para voltar a circular em formato digital mais de cinco décadas depois das filmagens.

O trabalho de restauração reúne a Escola de Cinema de Madrid (Ecam), a Vídeo Mercury Films e a FlixOlé, distribuidora e plataforma especializada em cinema espanhol. O projeto busca ampliar o acesso a um dos títulos menos disponíveis da filmografia do cineasta brasileiro.

Filmado durante o período em que Glauber vivia fora do Brasil por causa da perseguição da ditadura militar, “Cabeças Cortadas” acompanha a decadência de um ditador atormentado pelo próprio passado e pela proximidade da morte. O personagem Díaz II, interpretado pelo ator espanhol Francisco Rabal, combina referências a regimes autoritários latino-americanos e à ditadura de Francisco Franco na Espanha.

A narrativa usa elementos políticos, teatrais e poéticos para abordar autoritarismo, racismo, fascismo e relações de dominação. O longa também rompe com estruturas convencionais do cinema comercial, característica presente na trajetória de Glauber e no movimento do Cinema Novo.

Entre as passagens do filme está uma cena em que Díaz II relembra feitos grandiosos atribuídos ao próprio governo e ordena o retorno de um filósofo exilado. O personagem pretende colocá-lo à frente de uma fundação financiada com recursos obtidos pela venda da produção agrícola aos Estados Unidos.

A restauração pretende recuperar uma obra que permaneceu durante anos com circulação limitada. Além da nova cópia digital, o projeto inclui um espaço dedicado à história da produção, com registros dos bastidores, depoimentos de participantes das filmagens e informações sobre o método de trabalho de Glauber, marcado pela improvisação e pela liberdade criativa.

O próprio diretor definia “Cabeças Cortadas” como um filme situado entre o teatro e a poesia e defendia uma relação menos convencional entre a obra e o público. Para Glauber, a experiência deveria se aproximar da leitura de um poema ou da contemplação de uma pintura, em vez de seguir apenas a narrativa tradicional do cinema.

Glauber Rocha também dirigiu obras como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964, e “Terra em Transe”, de 1967, títulos que o projetaram como um dos principais nomes do cinema brasileiro. O cineasta morreu em 1981, aos 42 anos.

Fonte: Agência Brasil

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Cultura

Usina de Arte abre 20 vagas para curso gratuito de iniciação teatral em Rio Branco

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A Usina de Arte João Donato, em Rio Branco, oferece 20 vagas para o curso gratuito de Iniciação à Linguagem Teatral. A formação é destinada a pessoas a partir de 15 anos e busca ampliar o acesso às artes cênicas por meio de atividades práticas de expressão corporal, improvisação, jogos teatrais e criação de cenas.

As aulas serão presenciais na sede da Usina de Arte, localizada na Rua das Acácias, nº 1.155, no Distrito Industrial. A formação integra a programação de cursos livres desenvolvida no espaço cultural para moradores interessados em iniciar experiências no teatro.

Durante o curso, os participantes terão contato com técnicas de consciência e linguagem corporal, exercícios de criatividade, improvisação e práticas de construção cênica. A proposta é oferecer uma introdução aos elementos básicos do teatro e desenvolver habilidades relacionadas à comunicação e à expressão artística.

A programação ocorre no período da tarde. As aulas estão previstas para começar na segunda-feira (24) e seguir até novembro, com encontros semanais na Usina de Arte.

A unidade mantém atividades de formação artística e cultural em parceria com instituições estaduais. Outros cursos livres também vêm sendo oferecidos ao longo do ano nas áreas de teatro, artes visuais e formação cultural.

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