Pré-candidato a deputado estadual pelo PT, liderança Ashaninka afirma que povos indígenas não são obstáculo ao desenvolvimento e cobra reconhecimento, proteção dos territórios e acesso respeitoso às políticas públicas.
Marechal Thaumaturgo (AC) — O pré-candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores, Isaac Piyãko, liderança Ashaninka e ex-prefeito de Marechal Thaumaturgo, defendeu em mensagem à população do município uma visão de respeito, valorização cultural e reconhecimento dos povos indígenas como parte essencial da história e do futuro do Brasil.
Em sua fala, Isaac destacou que os povos indígenas seguem firmes na defesa de seus territórios ancestrais, de suas línguas, costumes, tradições e formas próprias de organização. Para ele, essa resistência não pertence apenas ao passado, mas continua sendo uma condição fundamental para garantir a vida cultural, espiritual e comunitária dos povos originários.
Piyãko lembrou que muitos povos foram dizimados ao longo da história, enquanto outros conseguiram sobreviver nas matas, nas cabeceiras dos rios e nos territórios mais distantes, preservando suas identidades até os dias de hoje. Segundo ele, essa presença precisa ser respeitada pela sociedade brasileira. “Os povos indígenas são os verdadeiros guardiões e ocupantes desse território. Precisam ser respeitados e valorizados”, afirmou.
A mensagem também reforçou uma crítica importante feita por Isaac: a ideia de que os povos indígenas seriam um obstáculo ao desenvolvimento. Para o pré-candidato, esse discurso é equivocado e muitas vezes usado de forma preconceituosa contra comunidades que apenas reivindicam seus direitos.
“Não podemos aceitar que as pessoas tenham os povos indígenas como um empecilho para o desenvolvimento. Na verdade, não é isso. O que os povos indígenas precisam é de respeito, reconhecimento e acesso a todas as políticas públicas de forma respeitosa”, declarou.
Isaac defendeu que políticas públicas voltadas às comunidades indígenas precisam considerar os costumes, as tradições e a forma de vida de cada povo. Na avaliação dele, garantir saúde, educação, proteção territorial, produção, cultura e desenvolvimento não pode significar apagar identidades, mas fortalecer a autonomia e a continuidade dos povos.
A fala dialoga com a trajetória política de Piyãko, que construiu sua liderança a partir da defesa do povo Ashaninka, da educação comunitária, da proteção territorial e da experiência administrativa em Marechal Thaumaturgo. Agora, busca levar essa agenda para o debate estadual, defendendo uma representação indígena capaz de dialogar com toda a população acreana. Em falas anteriores, Isaac já havia afirmado que sua atuação política não se limita aos povos indígenas, mas parte deles para pensar um projeto mais amplo de sociedade. “Não vim para governar só para os povos indígenas, vim para governar para todos”, disse durante ato de filiação no Juruá.
Na mensagem à população de Marechal Thaumaturgo, Isaac também chamou atenção para a importância da linguagem. Ele lembrou que a expressão “Dia do Índio” foi substituída por “Dia dos Povos Indígenas”, mudança que reconhece a diversidade dos povos originários e combate termos genéricos ou usados de forma pejorativa. Para Piyãko, essa mudança precisa ser compreendida pela sociedade como parte de um processo maior de enfrentamento ao preconceito e de construção de respeito. Ele defendeu que a população, as escolas, as instituições e os governos tratem os povos indígenas com justiça, responsabilidade e compromisso.
Ao final, Isaac reforçou que a resistência indígena deve servir como base para projetar o futuro. Para ele, proteger os territórios, valorizar a cultura e garantir políticas públicas são caminhos fundamentais para que os povos indígenas sigam contribuindo com o Acre, com a Amazônia e com o Brasil. “Seguimos firmes e fortes para continuar fazendo desse momento uma reflexão e uma projeção do futuro dos povos indígenas”, afirmou.