MEIO AMBIENTE

Marina Silva defende protagonismo social na COP30 e alerta para fase decisiva das negociações climáticas

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou durante o encerramento da Cúpula dos Povos, neste domingo (16) em Belém (PA), que a COP30 entra em uma etapa decisiva que exige compromissos concretos e participação social efetiva. A fala ocorreu após a leitura da mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que “a COP30 não seria viável sem a participação de vocês”, em referência aos mais de 70 mil participantes do evento — entre movimentos sociais, organizações ambientais e povos tradicionais — que se reuniram para discutir caminhos frente à emergência climática.

Na mensagem lida por Marina, Lula enfatizou que o combate à mudança do clima depende da mobilização de toda a sociedade, e não apenas dos governos. A ministra reforçou que “não podemos sair de Belém sem decisões sobre a transição energética, o fim do desmatamento e a mobilização de recursos”, destacando que a atual conferência deve ser “a COP da verdade e da implementação”. Segundo Marina, “o que foi feito ainda não é suficiente, porque o clima já mudou. O que vivemos atualmente não é mais urgência, é uma emergência climática”.

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O evento antecedeu o início da segunda fase da COP30, que passou a reunir, nesta segunda-feira (17), chefes de Estado e negociadores para discutir a redação final dos textos de decisão sobre temas como transição justa, adaptação climática e financiamento para países em desenvolvimento. De acordo com a presidência brasileira da conferência, a primeira semana, de caráter técnico, foi considerada positiva, com avanços nas negociações e consolidação de propostas. A embaixadora Liliam Chagas afirmou que o Brasil “passou o segundo teste com sucesso”, ao encerrar os debates técnicos com uma agenda acordada e textos preliminares prontos para análise política.

A Declaração da Cúpula dos Povos, entregue às autoridades, expressou críticas ao modelo econômico global e reivindicou a participação dos povos tradicionais na construção de soluções climáticas. O documento pede o fim das “falsas soluções de mercado”, defende o desmatamento zero e a proteção dos territórios indígenas, além de exigir que os recursos destinados à guerra sejam revertidos para a adaptação climática. A carta também denuncia desigualdades estruturais e defende uma “transição justa, soberana e popular”, baseada na justiça climática e na valorização dos saberes ancestrais.

Marina Silva, que desde o início da conferência vem articulando compromissos multilaterais e ressaltando a liderança amazônica no debate climático, reafirmou que a posição do Brasil na COP30 depende da escuta social e da credibilidade construída pela redução de 50% do desmatamento na Amazônia e pela meta de desmatamento zero até 2030. “As decisões de Belém precisam refletir a ciência, a justiça e o protagonismo dos povos”, afirmou. A ministra voltará a se reunir com delegações internacionais e organizações civis ao lado do presidente Lula e do secretário-geral da ONU, em encontros que devem definir os rumos da governança climática global.

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Foto: Aline Massuca/COP30

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