Marina Silva apareceu nesta semana usando uma veste tradicional do povo Ashaninka do Acre. A ministra explicou que a peça, chamada cusma, foi pintada com tinta extraída do cumaru e produzida pelos Ashaninka da Aldeia Apiwtxa, no município de Marechal Thaumaturgo, na fronteira com o Peru. A imagem foi divulgada nas redes sociais da ministra e antecede sua participação nos preparativos da COP30, que será realizada no Brasil em 2025.
Francisco Piyãko, liderança do povo Ashaninka da Apiwtxa e coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), afirmou que o gesto tem significado político e cultural. “É muito importante ver a ministra Marina vestir uma roupa tradicional Ashaninka. Ela é uma pessoa da floresta, e poderia estar usando um traje de qualquer outro povo também. Para nós, isso é motivo de honra”, disse. Ele destacou que o uso da peça simboliza uma conexão com as pautas indígenas e ambientais que estarão em debate na COP30. “O contexto torna o gesto ainda mais forte: preparação para a COP30, um momento desafiador, em que o Brasil assume um papel importante na discussão climática. Ao vestir essa roupa, ela mostra que carrega a causa no espírito e na alma. Não é apenas vestir um tecido; é vestir uma luta. Para nós, como povo e como liderança, ver isso é muito significativo.”
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Essa não é a primeira vez que Marina Silva utiliza o traje indígena. Em 2011, a ministra já havia vestido uma cusma Ashaninka durante a São Paulo Fashion Week, quando participou do desfile do estilista Ronaldo Fraga. Na ocasião, ela destacou que a peça era uma homenagem à moda brasileira e um símbolo do conhecimento tradicional dos povos da floresta, recebida como um presente dos Ashaninka do Acre
A Aldeia Apiwtxa é referência no Acre pelo trabalho de gestão territorial, proteção da floresta e articulação política em defesa dos direitos indígenas. O povo Ashaninka vive na região do alto rio Amônia e desenvolve ações de manejo sustentável, agroflorestas, produção de sementes, artesanato e fortalecimento cultural. O grupo também tem atuação em espaços de debate nacional e internacional sobre clima e Amazônia, incluindo encontros com governos, organizações internacionais e participação em conferências globais.
A vestimenta usada por Marina Silva faz parte desse sistema cultural. As cusmas são feitas pelas mulheres Ashaninka. A tinta usada na pintura da peça é produzida a partir de sementes e cascas de árvores, como o cumaru, elemento importante na cosmologia e nas práticas tradicionais de pintura corporal e de objetos da aldeia. O uso da cusma em eventos públicos tem sido uma forma de afirmar a identidade dos povos indígenas e projetar sua presença em espaços de tomada de decisão.
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A expectativa é de que a COP30, pela primeira vez realizada em território amazônico, amplie o protagonismo de povos indígenas na discussão climática. Lideranças Ashaninka têm defendido que a agenda climática não pode se dissociar da proteção territorial e da participação dos povos originários na formulação de políticas públicas.