Pesquisadores identificaram bactérias isoladas de sedimentos de rios amazônicos com potencial para o controle da murcha bacteriana, uma das principais doenças que afetam plantações de tomate e outras culturas. O estudo foi conduzido por instituições como a Embrapa Amazônia Ocidental, Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
A pesquisa se concentrou em microrganismos encontrados nos rios Solimões e Negro. Entre os 36 isolados avaliados, três bactérias apresentaram maior capacidade de inibir o crescimento da bactéria Ralstonia solanacearum, agente causador da murcha. Os isolados mais eficazes foram Priestia aryabhattai RN 11, Streptomyces sp. RN 24 e Kitasatospora sp. SOL 195.
Ensaios demonstraram que P. aryabhattai RN 11 reduziu a ocorrência da doença em até 90% durante o período chuvoso. Os outros dois microrganismos também apresentaram altos índices de supressão do patógeno e taxas elevadas de sobrevivência das plantas.
A coleta dos microrganismos foi realizada entre 2018 e 2019 nos rios Madeira, Purus, Solimões, Juruá e Negro. Os sedimentos foram coletados a cada 50 km ao longo dos percursos fluviais, o que permitiu identificar uma ampla diversidade de bactérias com aplicações potenciais na agricultura.
A pesquisa também avaliou características como a produção de enzimas extracelulares e compostos com capacidade de promover o crescimento vegetal. Os resultados sugerem que microrganismos da região amazônica podem ser utilizados no desenvolvimento de bioinsumos voltados ao manejo sustentável de doenças agrícolas.
O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Microorganisms e reúne cientistas de diferentes instituições da região Norte. O coordenador do estudo, Gilvan Ferreira da Silva, da Embrapa, ressalta que o uso da microbiota amazônica pode contribuir tanto para o controle de patógenos como para a descoberta de novas moléculas com valor agregado. Ele utiliza o conceito de “mineração genômica” para descrever esse tipo de prospecção científica.
As bactérias estudadas podem representar uma alternativa ao uso de defensivos químicos, com possibilidade de aplicação em diversas culturas, como batata, pimentão, banana, amendoim, feijão e soja.
Fonte: Embrapa