No podcast Séries Especiais — Cooperativismo e Desenvolvimento, do KlemerVerso, apresentado pelo jornalista Antônio Klemer, a ativista e empreendedora Lidianne Cabral apresentou a trajetória do movimento Elas Fazem Acontecer, que transformou o cenário do empreendedorismo feminino no Acre. O projeto, que surgiu de reuniões informais durante a pandemia de 2020, consolidou-se como uma associação formal e movimentou R$ 1 milhão na economia local ao longo de 2025, beneficiando diretamente cerca de 300 famílias que dependem dessas atividades para o sustento e desenvolvimento pessoal.
O grupo iniciou as atividades de forma remota, utilizando plataformas digitais para oferecer suporte terapêutico e estratégico a mulheres que enfrentavam dificuldades financeiras e o isolamento social. A primeira experiência presencial em praça pública ocorreu em 2021 e serviu como base para a profissionalização do coletivo. Atualmente, a associação possui CNPJ e atua na organização de feiras periódicas, capacitação técnica e na articulação de políticas transversais que buscam adaptar os espaços urbanos às necessidades das mulheres, incluindo acessibilidade e suporte para mães solo.
As feiras realizadas em Rio Branco demonstram a força do giro econômico gerado por esses pequenos negócios. Em um evento recente na Praça dos Povos da Floresta, a movimentação financeira ultrapassou R$ 40 mil em apenas três dias, com um faturamento médio individual superior a R$ 1.500 para as expositoras. Além da comercialização de produtos que vão desde alimentos até serviços de advocacia e estética, o movimento prioriza a formação em precificação e gestão, com o objetivo de romper o ciclo de subsistência e garantir lucro real às participantes.
A autonomia financeira funciona como uma ferramenta de combate à violência doméstica, considerando que o Acre apresenta altos índices de criminalidade contra a mulher. Lidianne Cabral afirma que a autonomia econômica de uma mulher representa a autonomia da casa, do bairro e do país. O projeto oferece apoio psicossocial voluntário e mantém parcerias com a Secretaria da Mulher e o Sebrae, integrando também redes nacionais como o Grupo Mulheres do Brasil. Casos de sucesso, como o de uma artesã indígena que alcançou fóruns da Organização das Nações Unidas (ONU), ilustram o potencial de internacionalização dos produtos da Amazônia.