O cinema brasileiro saiu como um dos principais destaques da 13ª edição dos Prêmios Platino, realizada na noite de sábado, 9 de maio de 2026, em Cancún, no México. O longa “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, venceu quatro categorias — Melhor Filme, Roteiro, Direção e Ator — e o documentário “Apocalipse nos Trópicos”, dirigido por Petra Costa, ficou com o troféu de Melhor Documentário.
A vitória de “O Agente Secreto” incluiu o prêmio de Melhor Ator para Wagner Moura. O filme, ambientado na década de 1970, acompanha Armando, professor universitário perseguido pela ditadura militar que foge de São Paulo para Recife e assume uma nova identidade, em uma trama que incorpora referências da cultura pernambucana. Ao subir ao palco para receber as estatuetas, Mendonça falou sobre o papel do cinema em um ambiente marcado por disputas em torno da informação. “É um momento onde a verdade está sendo discutida e manipulada”, afirmou.
Wagner Moura não esteve na cerimônia porque gravava uma produção na Espanha. Em mensagem de agradecimento lida por Mendonça, o ator citou a importância do prêmio para a integração do audiovisual em língua portuguesa e espanhola e dedicou o troféu ao diretor, que também confirmou um convite para que ele participe do próximo filme.
A premiação ampliou a lista de estatuetas do longa: antes da cerimônia principal, “O Agente Secreto” já tinha sido reconhecido em Direção de Arte, Música e Montagem, elevando o total de troféus do filme para oito na edição.
No documentário vencedor, “Apocalipse nos Trópicos” acompanha o governo de Jair Bolsonaro, aborda a tentativa frustrada de golpe de Estado em 2023 e discute a influência da fé evangélica na política brasileira. Ao receber o prêmio, o produtor e pesquisador Brunno Pacini disse que documentários “têm a capacidade de transformar o trauma em memória e a memória em movimento”.
Entre as séries, o Brasil também venceu com “Beleza Fatal”, que levou o Platino de Melhor Série de Longa Duração. Ao receber o troféu, a diretora Maria de Médicis citou o diretor de TV Dennis Carvalho, morto meses antes, e comemorou: “Viva a novela, viva o Brasil”. Nesta edição, o país teve sete produções indicadas, em um universo de cerca de 100 obras concorrendo em 36 categorias.
Fonte: Agência Brasil