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O ás fora da urna: a carta chamada Alysson

Alysson Bestene não é candidato ao Governo do Acre, mas seu apoio pode ser decisivo. Mais do que influenciar o resultado imediato da disputa, as escolhas que ele fizer agora poderão definir o espaço político que ocupará nos próximos anos.

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Na política, nem sempre quem tem a melhor carta está sentado na ponta da mesa. Às vezes, o personagem mais valorizado da partida sequer disputa aquela eleição, mas pode decidir quem vence e quais serão as próximas jogadas.

No Acre de 2026, esse personagem pode ser Alysson Bestene.

Prefeito de Rio Branco e aliado de Tião Bocalom, Alysson lidera politicamente a cidade que concentra quase metade do eleitorado acreano. Por isso, sua posição pode ser decisiva no primeiro e, mais ainda, no segundo turno. Se Bocalom chegar à disputa final, não há mistério: Alysson estará com ele.

Mas, se Bocalom ficar fora? O prefeito se tornará um dos apoios mais cobiçados da eleição, para onde iria Alysson?

Sem Bocalom, os dois lados terão razões de sobra para desejar seu apoio. Não apenas pelo peso eleitoral da capital, mas também pela estrutura política, pelos vereadores, pelas lideranças e pela capacidade de mobilização que gravitam em torno da Prefeitura de Rio Branco.

Alysson não estará na urna, mas estará no centro da negociação política do segundo turno.

Só que ele também terá razões de sobra para pensar muito antes de escolher. Sua decisão não será apenas sobre quem governará o Acre a partir de 2027. Será também sobre qual grupo terá melhores condições de influenciar a sucessão municipal de 2028 e sobre qual espaço Alysson deseja e ocupará nesse processo.

Porque 2026 termina em 2028. No Acre, uma eleição puxa a outra e a estadual começa a desenhar a próxima disputa pela Prefeitura de Rio Branco.

Uma vitória de Alan Rick provavelmente fortaleceria a construção de um projeto próprio para a capital. Já se fala em Emerson Jarude e no “futuro” senador Gemil Junior como possíveis nomes desse campo político, e outros poderão surgir. Alan é jovem e, mantidas as regras atuais, se eleito governador, poderá buscar a reeleição. Isso significa potencialmente oito anos de protagonismo estadual e uma reorganização profunda das ambições políticas ao redor do Palácio Rio Branco.

Com Mailza, a lógica também seria de fortalecimento de um “novo grupo” no poder. Seu campo político possui quadros capazes de disputar a prefeitura da capital. Marcos Alexandre é um deles. Ney Amorim, outro. Nada indica, hoje, que Alysson seria naturalmente o candidato desse grupo em 2028.

É justamente aí que a escolha de Alysson ganha peso estratégico.

Para ele, não estará em jogo apenas quem governará o Acre. Estará em jogo também qual governador poderá oferecer melhores condições para que continue comandando Rio Branco, preserve sua influência e construa uma candidatura competitiva para 2028.

Com Bocalom governador, Alysson teria no Palácio Rio Branco um aliado cuja vitória ajudou a construir. Com Alan ou Mailza, terá pela frente um “novo grupo” no poder, com seus próprios candidatos e interesse direto em conquistar a prefeitura.

Por isso, Alysson é mais do que um apoiador. Ele pode ser decisivo no segundo turno de 2026 e, ao mesmo tempo, uma das peças centrais da sucessão municipal de 2028.

No baralho político acreano, três candidatos disputam hoje as cartas mais visíveis. Mas um dos ases de 2026 estará fora da urna.

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