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O veneno voltou: Acre, reduto bolsonarista, é o mais atingido pelo tarifaço de Trump

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Enquanto bolsonaristas clamam por tarifas americanas para “salvar” o ex-presidente, o Acre, epicentro do bolsonarismo, se vê arrasado com o fim das exportações aos EUA. É o veneno que volta ao prato.

Num golpe irônico da própria ideologia que defende, o estado mais alinhado ao bolsonarismo, o Acre, pagou o preço mais alto na escalada tarifária que o próprio movimento incentivou. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revelam uma queda brutal: as exportações do Acre para os Estados Unidos despencaram de US$ 74,9 mil em julho para nada em agosto, mês em que entraram em vigor os 50% de tarifa impostos pelo governo Trump. Resultado: queda de 100% nas exportações.

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O Acre já vinha como o estado mais bolsonarista do país, ao menos politicamente falando. Agora, ele se destaca como o maior prejudicado pela política tarifária defendida — e até pressionada, por setores alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que veem nas tarifas uma forma de “manter o Brasil forte” diante do cenário judicial que o ex-mandatário enfrenta.

A lista dos itens afetados em nível nacional é extensa e grave: minério de ferro, açúcar, aeronaves e partes, motores e máquinas não elétricos, carne bovina fresca, madeira — todos contabilizando quedas expressivas nas exportações para os EUA.

No plano macro, o país registrou uma retração geral de 18,5% nas exportações para os EUA em agosto, comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do MDIC. Não bastasse o efeito econômico, a motivação política está clara: Trump justificou as tarifas com base em intromissões no processo judicial contra Bolsonaro, rotulado por ele como uma “caça às bruxas”.

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Curiosamente, bolsonaristas clamavam por essas mesmas tarifas como escudo político, uma tentativa desesperada de influenciar o proceder do processo que acusa Bolsonaro de envolvimento em trama golpista. Agora, veem cidadãos e produtoras do Acre, muitas delas pequenas ou emergentes, sofrendo o choque direto: o próprio remédio vira doença.

A política externa de Trump, imbuída de retórica trumpista bolsonarista, foi abraçada por setores próximos ao ex-presidente. O Acre, vítima simbólica desse alinhamento frágil, descobre que o veneno ideológico não poupa nem seus apoiadores mais fiéis.

foto:Internet/reprodução

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