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ONU condena plano dos EUA de transmitir fuzilamento ao vivo e alerta para prática de tortura

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A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o plano do governo dos Estados Unidos de transmitir ao vivo a execução de um ex-militar condenado à morte. A proposta, anunciada pelo Pentágono, foi classificada como “repugnante” pela entidade na sexta-feira (9) e pode representar uma violação das normas internacionais que proíbem a tortura e os tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

A execução de Nidal Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército americano, está marcada para 3 de dezembro, na base militar de Fort Hood, no Texas. Ele foi condenado por um ataque a tiros cometido em 2009, que deixou 13 mortos e 32 feridos.

Durante entrevista coletiva em Nova York, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que a transmissão de uma execução transforma a aplicação da pena de morte em um espetáculo público, prática condenada pelos organismos internacionais de direitos humanos.

“Um governo executar alguém em público, ou diante de câmeras ao vivo, francamente, é repugnante”, declarou Dujarric.

O representante das Nações Unidas comparou a proposta às execuções públicas realizadas em países como Irã e Afeganistão. Para a organização, a exposição deliberada da morte de uma pessoa pode configurar tratamento cruel e degradante, mesmo quando existe uma condenação judicial.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos também se manifestou contra a iniciativa. O órgão considera que transmitir uma execução ao vivo equivale a realizá-la publicamente, o que violaria a proibição absoluta da tortura prevista no direito internacional.

O plano foi anunciado pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que defendeu a possibilidade de a população acompanhar o cumprimento da pena. Ele argumentou que a exposição serviria para demonstrar as consequências de crimes como o cometido por Hasan.

A proposta, entretanto, provocou críticas dentro e fora do governo americano. O vice-presidente JD Vance declarou que não pretende assistir à transmissão. Parlamentares republicanos e democratas também questionaram a iniciativa.

No sábado (10), o presidente Donald Trump afirmou que tomará a decisão final sobre a exibição. Segundo ele, o governo avalia duas possibilidades: realizar a execução sem transmissão ou permitir que o público acompanhe o fuzilamento como forma de desencorajar novos crimes.

Caso seja cumprida, a sentença de Hasan representará a primeira execução realizada pelas Forças Armadas americanas desde 1961. O último fuzilamento militar nos Estados Unidos ocorreu em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.

A controvérsia reacendeu o debate internacional sobre os limites da pena de morte e a responsabilidade dos governos na proteção da dignidade humana, mesmo em casos envolvendo pessoas condenadas por crimes graves.

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