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Pediatras alertam para riscos de brinquedos com inteligência artificial à saúde das crianças

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A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou, nesta quarta-feira (21), um alerta sobre os riscos do uso de brinquedos com inteligência artificial (IA) por crianças e adolescentes. A entidade chama a atenção para a coleta de dados pessoais, a possibilidade de dependência emocional e os impactos ainda desconhecidos dessa tecnologia sobre o desenvolvimento infantil.

Os brinquedos equipados com IA são capazes de conversar com crianças, reconhecer vozes, memorizar preferências e oferecer respostas que simulam carinho, amizade e empatia. Segundo os pediatras, essas características exigem acompanhamento dos pais, principalmente quando os dispositivos possuem conexão com a internet, câmeras e microfones.

Uma das preocupações é que crianças passem a enxergar os brinquedos como amigos ou cuidadores. Uma revisão científica publicada na revista Pediatrics aborda o risco de a interação com sistemas de inteligência artificial provocar confusão entre relações humanas e respostas produzidas por máquinas.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também alerta para os chamados companheiros de IA, produtos desenvolvidos para manter conversas e estabelecer vínculos com os usuários. Esses dispositivos podem coletar informações pessoais e estimular formas de dependência, especialmente entre crianças e adolescentes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda cautela na compra de brinquedos que utilizam inteligência artificial generativa, principalmente aqueles capazes de manter conversas abertas, armazenar dados e simular apoio emocional. Quando não houver benefícios claros ou informações suficientes sobre o funcionamento e a segurança, a orientação é escolher produtos sem esses recursos.

Os pediatras também chamam a atenção para a ausência de estudos conclusivos sobre os efeitos de longo prazo dessas interações na saúde mental e no comportamento infantil. Para a entidade, a falta de conhecimento científico sobre esses impactos não elimina a possibilidade de riscos.

Antes de adquirir um brinquedo com IA, os responsáveis devem verificar se o produto possui câmera ou microfone, quais informações são coletadas, onde os dados ficam armazenados, se podem ser compartilhados com terceiros e se existe a possibilidade de excluí-los.

Outra recomendação é observar se a tecnologia realmente contribui para a brincadeira ou se substitui atividades importantes para o desenvolvimento, como leitura, exercícios físicos, contato com a natureza e convivência familiar.

A SBP também orienta os consumidores a buscar informações sobre classificação etária, mecanismos de supervisão parental e possíveis recursos de publicidade, compras e assinaturas associados aos brinquedos.

Caso sejam identificadas práticas de coleta de dados não informadas, exposição a conteúdos inadequados ou falhas de segurança, os responsáveis podem solicitar esclarecimentos e a exclusão das informações armazenadas. Também é possível registrar reclamações no Procon, na plataforma consumidor.gov.br e na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

A entidade lembra que compras realizadas fora de estabelecimentos comerciais, como pela internet, podem ser canceladas no prazo de sete dias após o recebimento do produto, conforme as regras do direito de arrependimento previstas na legislação brasileira.

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