A criação de mais de 1,2 milhão de empregos por micro e pequenas empresas em 2024 teve impacto direto na redução da insegurança alimentar no Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que o número de pessoas contratadas nesse segmento é próximo ao total de beneficiários do Bolsa Família que ingressaram no mercado de trabalho formal no mesmo período. A movimentação do setor produtivo contribuiu para que o país fosse novamente excluído do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
O novo levantamento da FAO, divulgado durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, Etiópia, aponta que menos de 2,5% da população brasileira está em situação de subalimentação, índice abaixo do limite considerado para inclusão na lista. A marca representa um avanço institucional, após o Brasil ter retornado ao mapa entre 2018 e 2020 devido ao agravamento da pobreza e da insegurança alimentar.
Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, a retirada do Brasil do Mapa da Fome reflete o impacto das políticas públicas voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo. Ele avalia que o país vive uma transição com base em ações estruturantes e incentivo aos pequenos negócios. “Já superamos parte dos desafios imediatos com a retomada do crescimento e a redução do desemprego. Agora, o foco é transformar a base produtiva com inovação e inclusão”, afirmou.
Além da geração de empregos, os pequenos negócios têm impacto ampliado sobre a economia nacional. Estimativa do Sebrae baseada em dados da Receita Federal indica que cerca de 95 milhões de brasileiros – praticamente metade da população – são beneficiados direta ou indiretamente por microempreendedores individuais (MEIs) e micro e pequenas empresas (MPEs). Esse número é 10% superior ao registrado em 2021. O setor também responde por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Entre junho e julho de 2024, cerca de 958 mil famílias deixaram de receber o Bolsa Família. Mais da metade não depende mais do benefício devido à conquista de renda própria por meio do trabalho ou do empreendedorismo. Esse movimento revela uma transição do apoio emergencial para a inclusão produtiva.
A exclusão do Brasil do Mapa da Fome representa não apenas uma melhoria nas estatísticas alimentares, mas também o resultado de uma combinação entre políticas de transferência de renda e fortalecimento da base econômica por meio do apoio a pequenos empreendimentos. O dado reforça a importância estratégica do setor para o desenvolvimento nacional com inclusão social.