Durante a COP30, realizada em Belém (PA) nesta quinta-feira (20), o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, afirmou que a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C é uma linha que o mundo não pode cruzar. O apelo, feito diante de líderes e negociadores, reforçou a necessidade de compromisso político e financeiro para enfrentar a crise climática. “Engajem nas discussões com boa-fé. Manter a meta de 1,5°C deve ser a sua única linha vermelha”, disse Guterres, pedindo que o novo acordo da conferência garanta proteção às populações afetadas e amplie o financiamento para adaptação.
O secretário-geral destacou que o debate sobre adaptação é central nesta edição da conferência, por envolver a sobrevivência de comunidades inteiras diante de desastres climáticos cada vez mais frequentes. “Para milhões, a adaptação não é um objetivo abstrato. É a diferença entre reconstruir e ser levado pela correnteza, entre replantar e morrer de fome, entre permanecer em terras ancestrais ou perdê-las para sempre”, afirmou. Ele alertou que as necessidades de adaptação estão aumentando rapidamente e que o overshoot — ultrapassar temporariamente o limite de 1,5°C — ampliará os impactos extremos.
Guterres defendeu que o financiamento para adaptação seja triplicado até 2030 e cobrou mais empenho dos países desenvolvidos e das instituições financeiras internacionais. “Exorto todos os financiadores, parceiros bilaterais, fundos climáticos e bancos multilaterais de desenvolvimento a intensificarem seus esforços e evitarem novas tragédias. Trata-se de sobrevivência”, afirmou.
Segundo dados da ONU, o financiamento atual para adaptação nos países em desenvolvimento foi estimado em US$ 26 bilhões em 2023. O valor necessário até 2035 deve chegar a até US$ 365 bilhões anuais, o que exigirá multiplicar por doze o volume de recursos. Delegações de países mais pobres reiteraram durante a COP30 a urgência de ampliar esses fundos, apontando que o ritmo das negociações ainda é insuficiente diante da escala dos impactos.
Questionado sobre a ausência dos Estados Unidos na conferência e a decisão do presidente Donald Trump de retirar o país novamente do Acordo de Paris, Guterres respondeu: “Estamos te esperando”. Em tom de otimismo, acrescentou: “A esperança é a última que morre”.
O discurso de Guterres reforçou o papel simbólico de Belém como palco da COP30 e evidenciou o contraste entre a lentidão diplomática e a velocidade das mudanças climáticas. Ao defender a meta de 1,5°C como inegociável, o secretário-geral apontou que a resposta global precisa ser imediata e coletiva, sob o risco de comprometer a segurança alimentar, os territórios e o futuro de milhões de pessoas.
Com informações da Folha de São Paulo / Foto: © UNFCCC/Kiara Worth.