A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça condenou, nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, o ex-governador do Acre Gladson Cameli na Ação Penal nº 1.076, processo ligado à Operação Ptolomeu.
O resultado foi proclamado pelo presidente do colegiado ao final do julgamento. Segundo o anúncio feito na sessão, foram oito votos, incluindo o da relatora, ministra Nancy Andrighi, pela condenação nos termos do voto da relatora. Outros três ministros também votaram pela condenação, mas acompanharam divergência em relação à dosimetria da pena.
Com isso, a Corte Especial formou maioria pela condenação de Gladson Cameli, com divergência apenas sobre o tamanho da pena. Como prevaleceu o voto da relatora, a decisão fixou pena de 25 anos e 9 meses de reclusão, além de multa, indenização ao Estado do Acre e perda do cargo.
O processo tem origem nas investigações da Operação Ptolomeu, que apurou suspeitas de organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. Gladson havia se tornado réu no STJ em maio de 2024, quando a Corte Especial recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.
O julgamento havia começado em dezembro de 2025, quando Nancy Andrighi votou pela condenação. Na ocasião, o processo foi suspenso por pedido de vista. Em abril de 2026, a Corte Especial retirou dos autos três relatórios de inteligência financeira do Coaf após decisão do Supremo Tribunal Federal, mas a relatora sustentou que esses documentos não haviam sido usados nem na denúncia nem no voto de mérito.
Na sessão desta quarta-feira, antes da proclamação do resultado, a defesa ainda tentou questionar pontos do processo. O presidente do STJ afirmou, no entanto, que o voto estava baseado na jurisprudência do próprio tribunal e do Supremo Tribunal Federal.
Com o encerramento do julgamento, o caso entra agora na fase de formalização do acórdão e eventual apresentação de recursos pela defesa. Politicamente, a decisão marca o desfecho mais grave até agora da trajetória judicial de Gladson Cameli no STJ, com condenação formada por todos os ministros que votaram no mérito e divergência apenas sobre a dosimetria da pena.
Foto: Diego Gurgel