Uma precipitação intensa atingiu a região do Vale do Juruá na noite desta quarta-feira (11), resultando em transtornos significativos nos municípios de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima. Em um intervalo de apenas duas horas e meia, pluviômetros registraram um acumulado de 80 milímetros de chuva, volume suficiente para sobrecarregar os sistemas de drenagem urbana e causar o transbordamento de igarapés e canais. A força da água invadiu residências e estabelecimentos comerciais em diversos bairros, gerando prejuízos materiais para a população e exigindo a mobilização imediata de equipes de monitoramento.
O volume concentrado de água expôs gargalos na infraestrutura de escoamento das duas cidades. Em Cruzeiro do Sul, segunda maior cidade do Acre, vias importantes foram tomadas pela enxurrada, impedindo o tráfego de veículos e pedestres durante o pico da tempestade. Relatos de moradores indicam que a subida do nível da água ocorreu de forma súbita, não permitindo a retirada de móveis e eletrodomésticos em áreas de baixada. Situação análoga foi registrada no município vizinho de Mâncio Lima, onde a saturação do solo agravou o acúmulo de água nas ruas centrais e periféricas.
Este evento meteorológico insere-se no contexto do inverno amazônico, período marcado pela instabilidade atmosférica e chuvas torrenciais na região Norte. A recorrência de temporais com alta milimetragem em curto espaço de tempo tem pressionado o planejamento urbano local, evidenciando a necessidade de ampliação das galerias pluviais. Dados históricos da região apontam que fevereiro concentra alguns dos maiores índices pluviométricos do ano, o que mantém as autoridades e a população em alerta constante para riscos hidrológicos e geológicos.
Equipes da Defesa Civil e das secretarias municipais de obras iniciaram, na manhã desta quinta-feira, o levantamento dos danos e a limpeza das vias afetadas, onde o recuo das águas deixou acúmulo de lama e detritos. O trabalho foca na desobstrução de bueiros e na assistência às famílias que tiveram suas casas atingidas. O monitoramento meteorológico permanece ativo para o Vale do Juruá, com previsões que indicam a manutenção da instabilidade climática, exigindo atenção redobrada quanto ao nível dos rios e córregos que cortam a malha urbana dos municípios atingidos.