O uso prolongado de celulares, tablets e computadores pode reduzir a frequência com que crianças e adolescentes piscam e favorecer casos de olho seco. O problema tem aparecido com mais frequência nos consultórios de oftalmologia pediátrica e foi discutido nesta quinta-feira (10), durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador.
O olho seco ocorre quando a superfície ocular não recebe lubrificação suficiente, seja pela produção inadequada de lágrimas, seja pela evaporação excessiva. Entre os sintomas estão ardência, coceira, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e visão embaçada.
A oftalmologista Ana Paula Silverio explicou que a concentração diante das telas, principalmente quando os aparelhos ficam próximos ao rosto, diminui o número de piscadas. Com os olhos abertos por mais tempo, a lágrima evapora com maior facilidade e aumenta a sensação de ressecamento.
Adolescentes estão entre os grupos que exigem maior atenção por acumularem horas de exposição ao longo do dia. Além do uso de computadores e tablets para estudar, muitos continuam conectados ao celular durante o período de lazer. O hábito de utilizar o aparelho dentro do quarto, em ambientes com pouca iluminação, também pode aumentar o desconforto visual.
“As mães trazem a criança ou o adolescente com essa queixa, que começou a piscar mais, além de uma sensação de desconforto”, relatou a oftalmologista durante o congresso. O aumento das piscadas pode surgir como uma resposta da criança à irritação e à secura nos olhos.
A recomendação é reduzir o tempo de exposição e estabelecer limites para o uso recreativo dos dispositivos. Para crianças com mais de 6 anos e adolescentes, a orientação citada durante o congresso é de até duas horas diárias de telas, além do período necessário para atividades escolares.
O 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia reúne especialistas na capital baiana até sábado (12) para discutir doenças oculares, prevenção, diagnóstico e novas formas de tratamento.
Fonte: Agência Brasil