A campanha institucional lançada pela Prefeitura de Rio Branco com o conceito “20 anos em 5” utiliza um jingle como elemento central para apresentar ações realizadas ao longo dos últimos cinco anos de gestão, reunindo investimentos, programas e obras sob uma narrativa única. A proposta parte da compreensão de que a comunicação pública não se limita à divulgação de serviços, mas também organiza informações, constrói percepção e contribui para a formação de memória social.
No campo da comunicação, jingles são reconhecidos como instrumentos de memória afetiva coletiva, capazes de registrar períodos históricos não apenas pelo conteúdo factual, mas também pela forma como são percebidos. Nesse sentido, a campanha adota a linguagem sonora como recurso para traduzir dados administrativos em mensagem acessível e de rápida assimilação pelo público.
O jingle funciona como fio condutor da mensagem institucional, organizando informações técnicas em narrativa compreensível. Segundo o publicitário Zé Américo, um dos responsáveis pela criação, o objetivo foi transformar números em percepção pública. “A campanha transforma números em percepção e obras em narrativa, oferecendo ao cidadão uma interpretação clara do ritmo da gestão. Não se trata de criar fatos, mas de organizar sua leitura pública”, afirma.
A estratégia parte do entendimento de que dados apresentados de forma fragmentada tendem a perder impacto social. A comunicação atua como mediadora, organizando essas informações em linguagem capaz de alcançar diferentes perfis da população. A música, nesse processo, permite síntese, amplia o alcance da mensagem e favorece a fixação do conteúdo por meio da repetição e da associação emocional.
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Outro ponto destacado é o alinhamento entre gestão, comunicação, narrativa e linguagem. Para o publicitário Wagner Lucena, esse processo é determinante para que a comunicação pública cumpra seu papel informativo. “Campanhas institucionais eficazes não nascem apenas da criação publicitária. Elas são resultado do alinhamento entre gestão, comunicação, narrativa e linguagem. Reconhecer esse processo é também reconhecer o trabalho técnico de profissionais que pensam a comunicação pública como política de informação, e não apenas como divulgação”, afirma.
A campanha também foi desenvolvida com atenção aos limites legais da publicidade institucional. A legislação brasileira estabelece que esse tipo de comunicação deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, sem promoção pessoal de agentes públicos, conforme os princípios da impessoalidade, moralidade e finalidade pública previstos no artigo 37 da Constituição Federal.
De acordo com os publicitários responsáveis pela criação, esses critérios nortearam todo o desenvolvimento da campanha. “Todo o material foi construído com base no que determina a legislação. O foco é exclusivamente institucional, respeitando os princípios constitucionais da comunicação pública. Desde o conceito até a execução, houve acompanhamento técnico para garantir que a campanha estivesse plenamente amparada pela lei”, afirmam.
Nesse tipo de iniciativa, o cuidado jurídico integra o próprio planejamento comunicacional. As peças passam por análise de conteúdo, verificação legal e acompanhamento técnico permanente, com o objetivo de assegurar que a comunicação cumpra sua função pública de informar a população sem extrapolar os limites estabelecidos.