O Acre enfrenta novamente uma das secas mais severas dos últimos anos, com impactos diretos sobre o abastecimento, a mobilidade e a segurança de comunidades inteiras. A situação crítica dos rios em diferentes regiões do estado revela a dimensão da crise climática que avança na Amazônia ocidental e expõe a vulnerabilidade da população ribeirinha e urbana.
Em Rio Branco, o nível do rio Acre atingiu nesta semana a marca de 1,55 metro, a mais baixa do ano até o momento. O número representa um alerta antecipado, já que, em 2023, essa profundidade só foi registrada em setembro. A Defesa Civil municipal monitora o comportamento do rio e prevê agravamento nas próximas semanas. A capital, que depende do manancial para parte do abastecimento, já lida com as consequências da estiagem prolongada .
No interior, a situação também é preocupante. No município de Jordão, vídeos recentes mostram moradores atravessando o rio Tarauacá de bicicleta, evidenciando o baixo volume de água. Com acesso apenas por via aérea ou fluvial, Jordão sofre com a dificuldade de chegada de insumos básicos, como alimentos e medicamentos. Em 2024, a seca já havia provocado desabastecimento e o cenário tende a se repetir.
Em Sena Madureira, a comunidade Extrema, situada no Alto Rio Caeté, encontra-se praticamente isolada. A profundidade do rio não permite mais a navegação com motor, forçando os moradores a realizar longas travessias a pé ou empurrando embarcações por horas. A situação impacta especialmente grupos vulneráveis, como gestantes e idosos, além de comprometer o transporte escolar e o atendimento de saúde.
No Vale do Juruá, a seca afeta o rio que liga Cruzeiro do Sul a diversos municípios acreanos e amazonenses. Embarcações têm encalhado em bancos de areia, dificultando a navegação e ampliando o risco de acidentes. A recomendação das autoridades locais é que o transporte fluvial seja realizado apenas durante o dia, como medida de segurança.
A somatória dos efeitos em diferentes municípios do estado reforça a necessidade de ações coordenadas entre os governos municipal, estadual e federal. A crise climática, manifestada pela redução drástica dos níveis dos rios, compromete não apenas o transporte e o abastecimento, mas também a saúde pública, a educação e a segurança alimentar das populações mais isoladas.