No Acre, a eleição também acontece fora dos palanques. No mercadinho, no açougue, na panificadora, na banca de tacacá ou de quibe, sempre aparece alguém disposto a dar o resultado antes da apuração.
É igual futebol. O time leva vantagem, a torcida começa a cantar vitória, alguém já pede a conta e vai embora antes do apito final. Depois, se o placar muda, a culpa é do juiz.
Na política acreana, o campeonato está parecido.
Alan Rick já é tratado como derrotado em algumas rodas de conversa. Mailza Assis, como vencedora. Há quem comemore, quem lamente e quem já pense em 2027.
Mailza terminou o primeiro turno à frente. É fato. Mas vantagem no placar não é súmula assinada.
E o futebol, convenhamos, está cheio de histórias de equipes que comemoraram antes da hora.
O mais interessante é que essa pressa em conhecer o vencedor não se limita ao governo estadual. Até na disputa presidencial, onde muitos consideram previsível o comportamento do eleitor acreano, Lula pode surpreender expectativas.
E quem conhece a política por estas bandas sabe que certeza demais costuma dar trabalho. Já vi a cidade amanhecer vermelha e anoitecer azul. E vice-versa.
Afinal, pesquisa não vota, palanque não vota e conversa de esquina, por mais animada que seja, também não.
Domingo, cada eleitor terá seu momento diante da urna, longe da arquibancada e dos comentaristas.
Quem quiser cantar vitória, que cante.
Só não esqueça que o árbitro ainda está com o apito na boca.
Porque, se tem uma coisa que aprendi acompanhando a política por estas bandas, é que o povo do Acre pode ser um monte de coisa. Otário é que não é.
Foto: Assessoria/Secom