A TV Senado exibiu uma entrevista com Cecília Andrade, coordenadora adjunta da exposição “Sopro Humano”, da Fiocruz Brasília, que reúne imagens e relatos sobre a crise humanitária e climática enfrentada pelos povos Yanomami e Ye’kuana no norte do Brasil. A mostra foi montada na sede da Escola de Governo no campus da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, e busca sensibilizar autoridades e a sociedade civil para os impactos do avanço do garimpo ilegal e do enfraquecimento da presença do Estado na região.
A exposição nasceu de uma chamada pública do “Abril Indígena” e combina fotografias produzidas por profissionais que atuam em campo com depoimentos de lideranças indígenas, entre elas Davi Kopenawa. O material foi organizado em eixos que atravessam a cultura dos povos, a escalada de violações associadas à invasão do território e as respostas mais recentes do poder público. Na entrevista, Cecília Andrade também relata como foram obtidos recursos para ações de apoio e como a assistência em saúde e o suporte humanitário chegaram às comunidades.
O ponto central da narrativa é o impacto do garimpo ilegal, apontado como fator que agravou a crise tornada pública em 2023, quando vieram à tona casos de desnutrição e contaminação. A atividade aparece como motor de uma cadeia de danos ambientais e sanitários, com a abertura de poços que favorecem a proliferação de mosquitos e o aumento de malária, além da deterioração das condições de vida nas aldeias.
A entrevista também detalha diferenças entre Yanomami e Ye’kuana, povos que compartilham o maior território indígena do país. Entre os Yanomami, a organização social é mais descentralizada e comunitária, com moradias circulares. Entre os Ye’kuana, há uma estrutura mais hierarquizada e reconhecimento por habilidades ligadas à navegação e ao artesanato. Apesar das diferenças, ambos compartilham uma visão de mundo em que a Terra é entendida como um ser vivo, e as alterações na floresta são percebidas como sinais de desequilíbrio.
No trecho dedicado à atuação do Estado, a entrevista relaciona a intensificação das violações a períodos de negligência e descreve a criação de estruturas de atendimento em Roraima. Uma parceria entre a Fiocruz e o Ministério dos Direitos Humanos organizou Centros de Referência em Direitos Humanos, como o Credi, e o Caici, voltado para crianças, com equipes que incluem psicólogos, assistentes sociais e intérpretes indígenas. A proposta é reduzir o choque cultural e enfrentar problemas que se agravam com o contato, como alcoolismo e questões de saúde mental.
A visitação presencial da exposição segue até 26 de junho em Brasília, e a Fiocruz Brasília também disponibilizou uma versão virtual em seu Instagram oficial.