MEIO AMBIENTE

Francisco Piyãko defende diálogo sobre estrada e alerta para impactos em Marechal Thaumaturgo

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O coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), Francisco Piyãko, afirmou em entrevista ao site ac24agro que a integração entre Brasil e Peru já acontece de forma natural pelas relações entre comunidades fronteiriças, mas alertou para os riscos de se discutir a abertura de uma estrada sem estudos prévios e sem ouvir as populações locais. Segundo ele, a iniciativa de novos projetos rodoviários na região de Marechal Thaumaturgo não parte das comunidades, mas de interesses externos que não consideram os impactos sociais e ambientais.

Piyãko destacou que a vida nas comunidades indígenas é sustentada pela diversidade de alimentos produzidos em roçados e pela coleta diária de produtos da floresta e dos rios. Para ele, a ideia de que a estrada resolveria problemas locais não encontra respaldo em experiências anteriores no Acre. “Se fosse a primeira vez que se abria uma estrada, não saberíamos os impactos. Mas já vimos que estradas não resolveram questões de pobreza, saúde e educação”, afirmou, citando os municípios ligados pela BR-364.

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O líder indígena também questionou quais interesses estariam por trás da proposta. Ele mencionou que, no lado peruano, há pressões pela abertura de vias voltadas para exploração de madeira e cultivo de coca, o que já tem gerado conflitos e grilagem de terras. Em sua avaliação, a região do Juruá é formada majoritariamente por terras indígenas, parques nacionais e reservas extrativistas, o que inviabiliza um traçado sem consequências para a floresta e as populações locais.

Piyãko destacou que as populações indígenas e ribeirinhas já mantêm formas próprias de integração com o Peru por meio dos rios e de trocas culturais, o que sustenta a vida local. Ao ser questionado sobre os argumentos de que uma rodovia poderia ser viável passando por Marechal Thaumaturgo, ele foi categórico ao afirmar que a região é formada por terras indígenas, unidades de conservação e reservas extrativistas, o que inviabiliza a abertura de uma estrada sem graves impactos. “Marechal Thaumaturgo é mais de 90% de área protegida. Ali não existe brecha. Se alguém acha que o problema é terra indígena, a estrada não resolve, porque o impacto ultrapassa qualquer limite de fronteira. Há populações tradicionais que podem ser removidas e não há governança para controlar esse processo”, disse.

Piyãko defendeu que qualquer proposta de integração precisa ser discutida com base em estudos técnicos, consulta às comunidades e alinhamento às necessidades locais. Para ele, a prioridade deve ser fortalecer políticas públicas de educação, saúde e apoio à produção comunitária, evitando que populações tradicionais sejam impactadas por projetos sem governança. “Não se trata de ser contra ou a favor de estrada, mas de avaliar quem será beneficiado e quem arcará com as consequências”, afirmou.

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