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Povos Indígenas

Funai mobiliza equipe para investigar possível presença de indígenas isolados em Jordão

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A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) mobilizou uma equipe especializada para investigar relatos sobre a possível presença de indígenas isolados na comunidade Santa Cruz, na zona rural de Jordão, interior do Acre. A medida foi tomada após o órgão receber, na terça-feira (20), imagens de câmeras de segurança que mostram pessoas entrando em uma residência na região.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (21), a Funai informou que os registros foram encaminhados à Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Envira (CFPE-EVA) por servidores da Base de Proteção Etnoambiental D’Ouro, vinculada à Unidade Avançada II, localizada em Jordão.

Após receber as informações, a coordenação acionou uma equipe do Serviço de Qualificação e Localização (SEQLII), que já realizava, desde 14 de outubro, uma expedição de monitoramento territorial na região do alto rio Muru.

A operação abrange comunidades ribeirinhas próximas à área de ocupação tradicional de indígenas isolados identificados pela Funai como Referência nº 115, conhecidos como Cabeludos do Humaitá.

Segundo o órgão, o trabalho busca atualizar informações sobre a movimentação territorial desses povos, identificar possíveis ameaças e orientar moradores sobre as medidas necessárias para garantir a proteção das populações em isolamento.

Com apoio do Serviço de Proteção Etnoambiental e da Unidade Avançada II, os técnicos se deslocaram até a comunidade Santa Cruz para iniciar os procedimentos de acompanhamento.

A equipe está coletando informações com moradores e realizando ações de orientação sobre os protocolos de proteção. Nos próximos dias, os servidores devem concentrar os trabalhos na identificação de vestígios materiais e no levantamento de possíveis rotas utilizadas pelo grupo.

A Funai informou que essas atividades são necessárias para ampliar o conhecimento sobre a identidade étnica das pessoas registradas nas imagens. Até o momento, o órgão não confirmou oficialmente a qual povo elas pertencem.

O caso ocorreu na fazenda Rosa Branca, onde câmeras de segurança registraram a entrada de pessoas em uma residência. O proprietário relatou que objetos foram retirados do imóvel e que a movimentação foi percebida pelo sistema de monitoramento.

No comunicado, a Funai também informou que mantém ações permanentes de vigilância territorial nas cabeceiras dos rios Tarauacá, Muru e Envira, com atuação de equipes especializadas e das bases de proteção de Xinane, Jordão e Humaitá.

O órgão reafirmou que a política de não contato, o respeito à autodeterminação e a garantia do uso exclusivo dos territórios tradicionais continuam sendo as principais diretrizes adotadas pelo Estado brasileiro para proteger os povos indígenas isolados e de recente contato.

MEIO AMBIENTE

Liderança Ashaninka alerta para degradação de rios e invasão de nascentes no Acre

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A liderança indígena Moisés Piyãko, do povo Ashaninka, alertou nesta quarta-feira (21) para a degradação dos rios, a invasão de nascentes e os impactos das atividades ilegais na região de fronteira entre o Acre e o Peru. A manifestação faz parte da oitava edição do projeto Recado Selvagem, iniciativa que reúne conhecimentos indígenas e reflexões sobre a preservação ambiental.

Gravado às margens do Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, o depoimento aborda os efeitos da poluição, do uso de produtos químicos, do desmatamento e da exploração ilegal dos recursos naturais sobre as comunidades que vivem na floresta.

“Um rio é como um povo”, afirma Moisés Piyãko, ao relacionar a preservação dos cursos d’água à sobrevivência das populações indígenas. Para a liderança, a destruição dos rios ameaça não apenas o meio ambiente, mas também os modos de vida, a cultura e os conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.

Moisés também chama a atenção para os problemas ambientais que ultrapassam as fronteiras nacionais. Na região do Alto Juruá, o avanço de atividades ilegais e a presença de organizações criminosas preocupam comunidades indígenas brasileiras e peruanas, que dependem dos rios para alimentação, transporte e manutenção de seus territórios.

O alerta ocorre em um contexto de denúncias de invasões e ameaças contra os Ashaninka. Em julho deste ano, homens armados entraram na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo. O episódio levou representantes indígenas a Brasília para cobrar medidas de segurança e maior cooperação entre os governos do Brasil e do Peru.

A declaração integra o Ciclo das Águas, programa de estudos lançado em 2026 pela Associação Selvagem. A iniciativa reúne conteúdos educativos gratuitos e promove o diálogo entre conhecimentos indígenas, pesquisas científicas e ações de conservação ambiental.

O vídeo, intitulado “Águas transfronteiriças”, tem lançamento previsto para esta quarta-feira, às 18h, no horário de Brasília, no canal da Associação Selvagem no YouTube.

Moisés Piyãko também participa da Comissão Transfronteiriça Juruá-Yurúa-Alto Tamaya, articulação formada por organizações e comunidades indígenas dos dois países para discutir a proteção dos territórios, dos rios e da biodiversidade amazônica.

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Justiça do Acre

Círculo de Justiça Restaurativa com povo Jaminawa debate proteção às mulheres e tradições indígenas

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O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) realizou na quarta-feira (19), na aldeia Betel, na Terra Indígena Mamoadate, o segundo círculo de construção de paz com indígenas Jaminawa. A atividade, feita com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), buscou fortalecer o diálogo, prevenir conflitos e ampliar a proteção de mulheres, crianças e adolescentes.

Durante a manhã, participantes discutiram os impactos dos conflitos nas famílias e na comunidade. O facilitador Fredson Pinheiro, do Centro de Justiça Restaurativa do TJAC, apresentou práticas baseadas no diálogo em círculo e relacionou o método às formas tradicionais de resolução de conflitos dos povos indígenas.

Indígenas também falaram sobre a necessidade de recuperar tradições e fortalecer a identidade Jaminawa. José Paulo Jaminawa afirmou que conflitos e episódios de violência prejudicam a vida comunitária e defendeu maior valorização dos conhecimentos transmitidos pelos mais antigos.

À tarde, a programação tratou das leis de proteção às mulheres, crianças e adolescentes, com atenção à Lei Maria da Penha. Foram discutidos tipos de violência, divisão das tarefas domésticas, criação dos filhos e violência patrimonial.

As participantes relataram situações envolvendo controle de benefícios financeiros e consumo de bebidas alcoólicas. O encontro também abordou alcoolismo, invasão de territórios por não indígenas, abuso de crianças e adolescentes, gravidez na adolescência e dificuldades relacionadas ao acesso ao salário-maternidade.

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Povos Indígenas

Medo persiste em aldeia Ashaninka no Acre após operação da PF e reforço do Exército

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Um mês após cinco homens encapuzados e armados invadirem a aldeia Apiwtxa, famílias do povo Ashaninka ainda vivem sob tensão na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre. Operações policiais e o reforço do Exército ampliaram o patrulhamento na fronteira com o Peru, mas os suspeitos continuam foragidos e as lideranças cobram proteção permanente contra o avanço do crime organizado.

A invasão ocorreu nos dias 5 e 6 de julho. Os homens, que falavam espanhol e carregavam armas de grosso calibre, percorreram a comunidade à procura de lideranças indígenas e intimidaram moradores. A entrada do grupo ocorreu após os Ashaninka impedirem a circulação de embarcações suspeitas pelo Rio Amônia, uma das rotas usadas para transportar drogas produzidas no Peru até o território brasileiro.

Os envolvidos foram identificados, mas atravessaram a fronteira e permanecem no lado peruano. Nenhuma prisão foi diretamente relacionada à invasão. “Queriam nos matar”, afirmou a liderança Francisco Piyãko, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá.

A primeira resposta ocorreu com o envio de agentes do Grupo Especial de Operações em Fronteira e de equipes do Centro Integrado de Operações Aéreas. Militares do Exército também passaram a patrulhar o Rio Amônia e o trecho entre Marechal Thaumaturgo e a fronteira, com ações por terra e pelos rios.

A fase batizada de Operação Ashaninka foi encerrada em 14 de julho, mas o patrulhamento continuou dentro de uma mobilização mais ampla. Entre os dias 19 e 25 de julho, a Polícia Federal coordenou a Operação Atalaia do Juruá, com participação de órgãos federais e estaduais.

A ação realizou 445 abordagens terrestres e fluviais, 241 fiscalizações, seis patrulhamentos aéreos, 15 visitas a aldeias e comunidades ribeirinhas e 21 fiscalizações ambientais. Cinco pessoas foram presas, uma arma de fogo foi apreendida e 50 autos de infração foram emitidos. Também ocorreram 34 apreensões, mas os resultados não foram associados diretamente às ameaças contra os Ashaninka.

Para as lideranças, operações temporárias não bastam para impedir novas invasões. A principal cobrança é pela manutenção de equipes de segurança na região, pelo uso permanente de inteligência e pela criação de uma estratégia conjunta entre Brasil e Peru.

A dificuldade de acesso aumenta a vulnerabilidade das comunidades. O deslocamento de Cruzeiro do Sul até os municípios da fronteira pode levar cerca de uma hora e meia em avião fretado ou até nove horas de barco. Depois das operações, parte dos agentes retorna às bases, deixando extensos trechos da floresta com pouca presença do Estado.

O narcotráfico atua na região ao lado de grupos envolvidos na extração ilegal de madeira, no garimpo e na abertura de estradas clandestinas. Rios, igarapés e caminhos pela mata são usados para atravessar a fronteira e transportar drogas, armas e produtos retirados ilegalmente da floresta.

A vigilância realizada pelos próprios indígenas transformou as lideranças em obstáculos para essas rotas. Os Ashaninka monitoram embarcações, protegem o território e comunicam atividades suspeitas às autoridades. Essa atuação passou a ser respondida com ameaças e tentativas de intimidação.

A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia integra um corredor de aproximadamente 3,5 milhões de hectares de floresta amazônica, formado por terras indígenas e unidades de conservação. A comunidade Apiwtxa ganhou reconhecimento pela recuperação ambiental do Rio Amônia e pelo modelo de proteção territorial desenvolvido nas últimas décadas.

Fonte: O Globo

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