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Fotógrafo Sérgio Vale homenageia mães amazônicas em ensaio no Dia das Mães

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O fotógrafo Sérgio Vale publicou neste Dia das Mães uma homenagem às mulheres da Amazônia, reunindo imagens de amanheceres, entardeceres, árvores em silhueta e canoas riscando a água para aproximar a maternidade da força antiga que sustenta a floresta, os rios e a vida nas comunidades ribeirinhas, nos seringais, nas aldeias, nos ramais e nas cidades da região. A publicação transforma a paisagem amazônica em linguagem de afeto e coloca as mães como guardiãs de uma rotina feita de cuidado, travessia, alimento, coragem e permanência.

Nas fotografias, o sol aparece baixo, quase encostando na linha escura das árvores, como se a própria mata respirasse devagar antes de mais um dia. Em uma das cenas, a canoa corta o rio sob uma luz dourada, levando pessoas pequenas diante da imensidão da água. Em outra, árvores se erguem contra o céu carregado de tons quentes, lembrando que, na Amazônia, o tempo da natureza também marca o tempo das famílias. É nesse encontro entre luz, água e sombra que Sérgio Vale constrói sua homenagem.

A mensagem associa a maternidade ao trabalho que começa antes do sol, quando muitas mulheres já estão de pé para cuidar da casa, preparar comida, acompanhar filhos, enfrentar ramais, esperar a rabeta, atravessar igarapés, puxar da memória os saberes herdados e manter acesa a vida onde quase sempre o Estado chega tarde ou chega pouco. Vale escreve que essas mulheres “atravessam a vida como quem rema contra a correnteza” e “ainda encontram força para fazer nascer cuidado, comida, abrigo e esperança”.

A homenagem também aproxima a mãe humana da mãe natureza. A floresta aparece como fonte de sustento e abrigo, alimentando pelo peixe, pela castanha, pela macaxeira, pelo açaí, pelo leite branco da seringa e pela sombra da mata em pé. A imagem não é apenas poética. Na Amazônia, a vida de milhares de famílias depende dessa relação cotidiana com os ciclos dos rios, com o tempo da chuva, com a fertilidade da terra e com os produtos que brotam quando a floresta permanece viva.

Ao celebrar as mães amazônicas, Sérgio Vale também toca em uma verdade maior: cuidar das mulheres que sustentam famílias e comunidades é cuidar do futuro da própria região. A maternidade, nas beiras de rio e nos caminhos de mata, não cabe apenas na palavra afeto. Ela é trabalho, resistência, memória, proteção e continuidade. É a mãe que ensina o filho a respeitar a água grande, a reconhecer o tempo da colheita, a dividir o pouco, a não esquecer de onde veio.

A publicação termina com uma frase que amarra a homenagem à defesa da vida: “proteger uma mãe é proteger o futuro”. Em seguida, Vale completa: “proteger a natureza é honrar a maior mãe que temos”. Entre o vermelho do entardecer, o silêncio das árvores e o risco fino das canoas sobre o rio, a mensagem permanece como um chamado simples e profundo: na Amazônia, toda mãe carrega um pedaço de floresta dentro de si, e toda floresta guarda, em sua grandeza, o gesto primeiro de uma mãe.

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Fotógrafo Sérgio Vale relata cobertura no Instituto São José e pede respeito às vítimas

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O fotógrafo Sérgio Vale publicou nesta terça-feira (5) um relato sobre a cobertura em frente ao Instituto São José, em Rio Branco, e cobrou cautela na divulgação de imagens diante de uma comunidade em luto. “Há dias em que a câmera pesa mais do que qualquer equipamento. Hoje, em Rio Branco, diante do Instituto São José, cada clique atravessou o corpo antes de virar imagem”, escreveu, ao descrever o que viu durante o atendimento de emergência e a espera de familiares por notícias.

Na mensagem, Vale disse que esteve “entre o medo, o silêncio, a correria, o choro contido e a espera angustiada” de quem buscava “um abraço” e “uma confirmação de que tudo ficaria bem”. Ele afirmou que a fotografia alcança “rostos, gestos e movimentos”, mas não registra “o aperto no peito de uma escola tomada pela dor”. “Por trás de cada fotografia existe uma família em aflição, um estudante marcado, um profissional tentando se manter firme, uma comunidade inteira ferida”, publicou.

O texto também foi um recado direto sobre o modo como a tragédia é acompanhada e compartilhada. “Neste momento, antes de qualquer imagem, fica o respeito. Respeito às famílias, aos alunos, aos trabalhadores da escola e a todos que foram atingidos por essa tragédia”, escreveu. Em seguida, pediu que “a solidariedade fale mais alto que o medo” e que “o cuidado seja maior que qualquer registro”, antes de encerrar com uma despedida: “Que as heroínas de hoje descansem em paz”.

O relato foi divulgado após a cobertura do ataque a tiros dentro do Instituto São José, no início da tarde de terça-feira (5), em Rio Branco. Quatro pessoas foram atingidas, entre elas três funcionárias e um aluno. Duas funcionárias morreram no local. Uma terceira funcionária, de 40 anos, e uma estudante, de 11, foram socorridas e levadas ao Pronto-Socorro da capital. A Polícia Militar apreendeu um adolescente de 13 anos, aluno da escola, que assumiu os disparos. O responsável legal pelo menor, proprietário da arma, foi detido. As aulas na rede estadual, municipal e particular foram suspensas por três dias, e o governo anunciou reforço de protocolos de segurança nas escolas, além de apoio psicossocial à comunidade escolar.

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Silêncio em Flor no Irineu Serra

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No Irineu Serra, em Rio Branco, a tarde parece se demorar entre flores lilases e galhos finos, como se a mata respirasse devagar para não romper o encanto. No meio dessa delicadeza, a ave escura pousada no silêncio lembra que a floresta também se sustenta na sombra, na espera e naquilo que quase passa despercebido.

Foto de Sérgio Vale – @sergiovaleac

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Beira do Rio, Lugar Comum

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No passo manso do fim de tarde, a vida segue inventando caminho, entre o calor do sol, o vento leve e o silêncio dos barcos ao longe.

Na beira do rio, o entardecer vai derramando ouro na água, e a vida segue devagarinho, no compasso manso de quem conhece o tempo da maré, do vento e do silêncio. As silhuetas caminham como quem leva consigo as histórias da beira, o calor da tarde, a conversa miúda e essa beleza funda que só a Amazônia entende bem: rio, céu e chão se misturando num mesmo encanto. É cena que parece nascer do banzeiro da memória, dessas paisagens que ficam morando na gente mesmo depois que a luz se vai. E, pra entrar de vez nesse clima, vá ouvir “Lugar Comum”, do nosso acreano João Donato.

Foto de Sérgio Vale – @sergiovaleac

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