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KlemerVerso põe mulheres no centro do debate em especial sobre trabalho, autonomia e violência no Acre

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O KlemerVerso publicou neste domingo (8) um episódio especial dedicado às mulheres, reunindo em estúdio a empresária Izanelda Magalhães, a motorista de ônibus Mara e a presidente do Procon-Acre, Alana Carolina Laurentino Maia Albuquerque, em uma conversa que passou por mercado de trabalho, ocupação de espaços historicamente masculinos, independência financeira e enfrentamento da violência doméstica. A mediação ficou com a jornalista Edilene Nobre, que abriu o programa agradecendo a cessão do espaço e colocou as convidadas como eixo do episódio.

O tom do encontro aparece já na apresentação das três trajetórias, marcadas por rotinas em que a presença feminina ainda provoca estranhamento. “Cada um de vocês exerce profissões em espaços que eram muito masculinos”, disse a mediadora antes de direcionar a primeira pergunta a Mara, sobre o que significa conduzir transporte público em Rio Branco. A motorista resumiu a jornada entre tensão e convivência diária com passageiros: “Ser motorista de ônibus é de tudo um pouco. É do estresse à brincadeira, porque a gente carrega muito público”. Ao lembrar o início da carreira, ela relatou o tipo de questionamento que enfrentava quando começou a dirigir coletivos: “O preconceito às vezes existia tanto que chegou passageiros a me perguntarem se eu ganhava, se eu tinha o mesmo salário de um motorista”. A resposta veio no mesmo tom direto: “Poxa, mas eu dirijo um ônibus igual a um homem que dirige”.

Na sequência, o programa foi para o empreendedorismo a partir da experiência de Izanelda à frente do Sorvete Nanê e da chegada ao Bar Municipal, no centro de Rio Branco, espaço tradicionalmente associado a uma cultura masculina e que ela passou a operar com outra proposta. “A experiência é quando você vai para um ambiente público que também é um equipamento que é muito conhecido, tem um histórico como o Bar Municipal, e transformar ele em um ambiente além de receptivo, mais leve”, contou, ao descrever a mudança de conceito do local. A empresária explicou que o movimento também confronta uma memória afetiva da cidade, marcada por empreendimentos conduzidos por homens. “A história dos empreendimentos de sorvete aqui em Rio Branco são todos masculinos”, afirmou, antes de citar referências locais e dizer que faltava visibilidade para mulheres. “Então, nenhum empreendimento que desse vez, voz e visibilidade para uma figura feminina.”

Izanelda também amarrou o negócio à identidade regional, tema recorrente no episódio. Ao falar do produto e da proposta, ela conectou qualidade e origem: “Trazer um sorvete de uma qualidade superior, ser natural e ser muito com a identidade da Amazônia e dos acrianos.” A conversa percorreu ainda a relação entre trabalho e reconhecimento, com a mediadora resgatando o valor simbólico de lugares e rotinas que constroem a cidade e que, muitas vezes, são vistos apenas como serviço.

O bloco com Alana trouxe o olhar institucional e colocou o consumo e o endividamento como parte do debate sobre autonomia das mulheres. Ela relatou ações em curso no estado e situou o superendividamento como problema de escala nacional. “Só no Brasil, são 81 milhões de brasileiros, de famílias, que se encontram endividadas. Isso representa aproximadamente 79% das famílias”, disse, ao justificar a criação de iniciativas locais voltadas à renegociação de dívidas. Alana afirmou que, em março, a programação ganha recorte específico para o público feminino por causa da ligação entre dependência financeira e permanência em relações abusivas. “A gente sabe que hoje as mulheres, por vezes, elas ficam na dependência de um relacionamento abusivo, justamente por conta da dependência financeira”, afirmou. Entre as medidas citadas, ela mencionou uma ação em parceria com a Secretaria da Mulher: “Um feirão voltado para as mulheres vítimas de violência doméstica.”

O episódio avança em torno da mesma pergunta que atravessou as três trajetórias: como a independência econômica, o acesso a renda e o reconhecimento profissional alteram o lugar social das mulheres, seja no volante de um ônibus, na gestão de um negócio no centro da capital ou em uma instituição que recebe diariamente demandas da população.

O KlemerVerso – Séries Especiais é um projeto de entrevistas e conteúdo audiovisual com debates temáticos sobre o Acre, realizado pela Wave Produções.

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