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O Rio que sempre passa

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O Rio Acre, que não tem pressa e nunca teve compromisso com calendário de prefeito nem com planta de engenheiro, segue passando diante de Rio Branco como quem observa, com uma paciência quase irônica, a cidade se espalhar em concreto, vidro e buzina, fingindo que nasceu ontem; mas a verdade — e o rio sabe disso melhor do que qualquer cronista — é que antes de haver esquina, escritura ou edifício com fachada espelhada, já havia essa água barrenta conduzindo gente, mercadoria, esperança e teimosia, ensinando que toda cidade ribeirinha carrega no fundo uma memória líquida que não se deixa soterrar por asfalto algum, de modo que, enquanto um pequeno barco risca a superfície dourada da tarde, não é apenas um motor que ronca, é a própria história repetindo, com naturalidade despretensiosa, que por mais que a cidade cresça para dentro e para cima, continua pertencendo, inevitavelmente, à beira do rio que a inventou.

Foto de Sérgio Vale – @sergiovaleac

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