O debate promovido pelo ac24horas cumpriu uma função importante: colocou frente a frente os principais candidatos ao Governo do Acre e trouxe para a discussão problemas que há anos desafiam o Estado.
Previdência, saúde, habitação, infraestrutura, produção e emprego apareceram com força.
Alan Rick assumiu uma postura de cobrança sobre a atual gestão. Mailza teve de responder pelos problemas e apresentar as ações do governo. Bocalom buscou sustentar sua experiência administrativa e sua proposta de produção e geração de emprego. Thor Dantas tentou se apresentar como alternativa e questionou principalmente a capacidade de investimento e planejamento do Estado.
O confronto faz parte da eleição. E perguntas difíceis precisam ser feitas.
Mas talvez o ponto mais importante do debate esteja justamente depois da pergunta.
Quando se fala em déficit da Previdência, por exemplo, não basta dizer que ele existe. O problema atravessa décadas e diferentes governos. É preciso explicar como será enfrentado, quanto custará, de onde virão os recursos e como preservar a capacidade do Estado de investir em outras áreas.
Na saúde ocorre o mesmo. Apontar filas, falta de especialistas ou dificuldades no atendimento é necessário. Mas a próxima pergunta deveria ser: qual é o plano, quanto custa e em quanto tempo pode produzir resultado?
Na habitação, não basta discutir quantas casas foram ou não foram entregues. É necessário apresentar demanda, capacidade de investimento, fontes de financiamento e metas possíveis.
Esse talvez seja o principal desafio desta campanha.
O Acre já conhece seus problemas.
O eleitor precisa agora conhecer melhor as soluções propostas por quem pretende governá-lo.
Porque administrar um Estado exige mais do que diagnóstico. Exige estratégia, prioridades, equilíbrio fiscal, capacidade de execução e sustentabilidade das decisões.
Os próximos debates podem ajudar muito se conseguirem avançar nessa direção.
Cobrança faz parte da democracia. Contraditório também. Mas quem pergunta precisa estar preparado para dizer o que faria no lugar de quem governa — e quem governa precisa explicar o que fez, o que não conseguiu fazer e o que pretende mudar.
Ao final, a eleição não deveria ser apenas uma disputa sobre quem identifica melhor os problemas.
Deveria ser uma disputa sobre quem apresenta as respostas mais consistentes para enfrentá-los.
Mais que perguntas, o Acre precisa de respostas.
Foto: Sérgio Vale