A tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo o café, provocou uma reação imediata no mercado e acendeu um alerta entre os produtores do Acre. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, passa a valer em 1º de agosto e impacta diretamente as exportações brasileiras, especialmente do café arábica, cujo contrato futuro subiu mais de 3% na Bolsa de Nova York no dia 10 de julho.
No Vale do Juruá, principal região produtora de café no Acre, a notícia gerou apreensão. O presidente da Cooperativa de Cafeicultores do Juruá (Coopercafé), Jonas Lima, afirmou que “a preocupação é gigantesca”. Segundo ele, a medida compromete a principal estratégia da cadeia produtiva da região: exportar. “Temos que botar café pra fora”, disse em entrevista ao portal ac24horas, destacando a dificuldade que a nova tarifa pode trazer para o acesso ao mercado norte-americano.
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A expectativa inicial da Coopercafé era colher entre 30 a 40 mil sacas de café em 2025, mas a estimativa foi revisada para 20 a 25 mil. Embora o café arábica — não cultivado na região do Juruá — tenha se valorizado após o anúncio, o ambiente de instabilidade preocupa os produtores acreanos. “Para onde vamos exportar se o segundo maior cliente praticamente fechou a porta?”, questionou Lima.
O governo brasileiro também manifestou preocupação com os efeitos da medida. Segundo análise da CNN Brasil, mais de 70% do consumo interno norte-americano de café é suprido por produtos brasileiros, o que pode causar aumentos significativos nos preços ao consumidor dos EUA. Ainda de acordo com o governo, a tarifa pode ter impacto direto sobre setores que geram milhões de empregos nos Estados Unidos e movimentam bilhões de dólares na economia local.