O Rio Acre, em Rio Branco, atingiu nesta segunda-feira (11) a marca de 1,31 metro, segundo a Defesa Civil Municipal. O nível está a apenas oito centímetros de igualar o menor registrado na série histórica, em setembro de 2024, quando chegou a 1,23 metro. A medição foi feita às 5h15 e confirma a tendência de queda, influenciada pela ausência de chuvas e pelo avanço do período seco.
O monitoramento do manancial é realizado desde 1971, e o atual cenário é um dos mais críticos já observados. A cota de alerta é de 13,50 metros, enquanto a de transbordo é de 14 metros, muito acima da realidade atual.
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Durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), convocada pelo deputado Eduardo Ribeiro (PSD) para discutir os impactos climáticos no Rio Acre, especialistas apontaram que a crise não é apenas consequência da estiagem, mas também de um processo de degradação ambiental.
O geógrafo e professor Claudemir Mesquita afirmou que a retirada da mata ciliar, a ocupação desordenada das margens e o desmatamento para a criação de gado estão entre os principais fatores que reduzem a capacidade de retenção de água e aumentam a vulnerabilidade do rio. Ele lembrou que, ao longo de décadas, igarapés que abasteciam o manancial foram destruídos.
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, ressaltou que as secas provocam prejuízos econômicos maiores que as enchentes e afetam toda a população. Ele defendeu mais investimentos em prevenção, com fortalecimento dos órgãos ambientais e de resposta a desastres.
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O diretor de Meio Ambiente da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), Erisson Cameli Santiago, destacou que o problema se repete em diversas bacias do estado e que, em 2023 e 2024, houve secas tão severas que igarapés como o Encrenca, em Epitaciolândia, chegaram a secar completamente. Ele informou que o governo atua em parceria com Peru e Bolívia para restaurar nascentes e áreas degradadas.