Em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, o coletivo Samba Popular Livre realizará uma roda de samba no dia 19 de novembro, às 19h, no espaço cultural O Casarão, em Rio Branco. A entrada para o evento será garantida mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, em uma ação que une música, cultura e solidariedade.
O Samba Popular Livre, movimento cultural que ocupa espaços públicos de Rio Branco com rodas de samba, foi criado por ativistas e amantes do samba, entre eles Anderson Liguth, músico e psicólogo acreano. Liguth explica que a iniciativa busca valorizar as raízes afro-brasileiras do samba, combatendo o preconceito ainda existente contra a cultura negra no Brasil. “Queremos mostrar que o samba é uma arte que vem desta matriz africana. É uma forma de quebrarmos o preconceito que ainda persiste e de resgatar a essência cultural do nosso povo”, afirma.
Foto: Arison Jardim
Ele acrescenta que o evento marca uma reconexão importante para o movimento: “Uma alegria imensa retomar o movimento SPL no seu período de nascimento e na razão da sua existência, fazendo a comunhão e a religação do samba com o movimento das causas afro-brasileiras onde o samba nasce e sua história se reconecta”.
A roda de samba trará um repertório de músicas que contam a história do Brasil, enaltecendo as influências africanas na formação da cultura nacional. Para o coletivo, o samba tem papel central na identidade cultural negra no país, nascendo com a chegada dos bantos – negros de Angola, Moçambique, Congo e Nova Guiné – que trouxeram o culto da divindade Kissimbi, de onde se origina o samba. Apesar das históricas tentativas de repressão, o samba sobreviveu graças à resistência cultural dos africanos, que recriaram suas tradições neste novo país.
O coletivo Samba Popular Livre surgiu formalmente em 2018, impulsionado por um grupo de sambistas e ativistas culturais. O movimento é guiado pelos princípios de preservação e valorização do samba de raiz, comprometendo-se a divulgar e resgatar sambas autorais e regionais, além de promover a cultura do samba, o coletivo busca ocupar espaços públicos e fortalecer a identidade cultural de Rio Branco por meio de eventos gratuitos e acessíveis à população.
Serviço:
• O quê? Samba Popular Livre – roda de samba em alusão ao Dia da Consciência Negra • Onde? O Casarão, Rio Branco • Quando? 19 de novembro, domingo, às 19h • Entrada: 1 kg de alimento não perecível • Realização: Samba Popular Livre, com apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour, Governo do Acre e COMPIR
O filme brasileiro O Agente Secreto foi indicado ao Globo de Ouro 2026 em três categorias — Melhor Filme de Drama, Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e Melhor Ator para Wagner Moura — conforme anúncio divulgado nesta segunda-feira, 8 de dezembro de 2025, em São Paulo, colocando o cinema brasileiro novamente entre os destaques da principal premiação da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa chega à temporada internacional de prêmios após circulação por festivais ao longo de 2025 e agora passa a disputar espaço com produções de vários países. Na categoria de Melhor Filme de Drama, concorre com Frankenstein, Hamnet: A Vida de Hamlet, It Was Just An Accident, Valor Sentimental e Pecadores. Já na disputa por Melhor Filme de Língua Não-Inglesa, enfrenta títulos da França, Coreia do Sul, Noruega, Espanha e Tunísia, em um cenário de ampla diversidade de cinematografias.
A indicação de Wagner Moura ao prêmio de Melhor Ator o coloca ao lado de Joe Edgerton (Train Dreams), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Sinners) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido). O reconhecimento marca mais um momento de projeção internacional do ator brasileiro, que protagoniza a produção nacional em sua estreia no circuito do Globo de Ouro nesta categoria.
As indicações de 2026 ocorrem meses após a premiação de Fernanda Torres, que venceu o Globo de Ouro 2025 como Melhor Atriz em Filme de Drama por sua atuação em Ainda Estou Aqui, ampliando a presença do Brasil nas principais disputas da cerimônia. A expectativa do setor audiovisual é de que o desempenho de O Agente Secreto no Globo de Ouro influencie sua trajetória na temporada de prêmios do próximo ano, incluindo a corrida ao Oscar, já mencionada por analistas do mercado internacional.
A Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia, Sitoakore, realiza no dia 13 de dezembro de 2025, das 9h às 17h, a IV Vivência Cultural da Sitoakore, na Casa da Cultura da Gameleira, em Rio Branco, com entrada gratuita e aberta ao público, como parte do encerramento das atividades do ano da entidade. O evento é financiado pela Fundação Garibaldi Brasil, por meio da Lei Aldir Blanc, do Governo Federal, e tem coordenação de Xiú Shanenawa.
A vivência reúne mulheres de diferentes povos indígenas que vivem em contexto urbano e propõe o compartilhamento de práticas tradicionais ligadas à cultura, espiritualidade e modos de vida. Ao longo do dia, o público poderá participar de atividades como pintura corporal com kenes, feira de artesanato, brincadeiras tradicionais para crianças, cantos, danças, banhos e defumações, além de apresentações musicais com artistas indígenas e um banquete de culinária indígena. Também estão previstas as palestras “Mulheres Indígenas em Contexto Urbano”, com Xiú Shanenawa, e “O fazer tradicional das parteiras indígenas”, com Maristela Shanenawa. A expectativa da organização é receber cerca de 200 pessoas, entre indígenas e não indígenas.
Criada a partir da articulação de mulheres indígenas de diferentes territórios, a Sitoakore atua na formação política, cultural e ambiental, tanto em aldeias quanto em áreas urbanas. Nos últimos anos, a entidade executou projetos voltados à escuta, formação de lideranças e debate sobre territórios, clima e políticas públicas. Entre as ações realizadas estão o projeto Raízes da Mudança – Mulheres Indígenas Moldando o Amanhã, em parceria com o FILAC, voltado à escuta de mulheres em comunidades, e o Raízes da Mudança – Mulheres Indígenas na Defesa do Clima e dos Territórios, com apoio do Fundo Podály, Conservação Internacional, CIMI e DSEI, que promoveu debates sobre legislação, acesso a políticas públicas e justiça climática. Em parceria com a Funai, a Sitoakore coordenou o programa Fortalecendo Mulheres Indígenas como Líderes Climáticas, com foco na atuação de mulheres na implementação do PNAGTI, além de ações de formação com apoio da Sesai, Sepi e DSEI em 2024. De acordo com a coordenação, a IV Vivência integra esse conjunto de iniciativas ao reunir cultura, formação e intercâmbio entre povos no contexto urbano.
‘Fórum das Amazônias: Linguagens e Identidades’ promove confluência de vozes e saberes no Acre
Com uma programação rica e diversificada, o Fórum das Amazônias acontece no Centro de Convivência da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, das 14h às 19h30, e está sendo organizado para reunir o ecossistema cultural amazônico, incluindo artistas, pesquisadores, escritores, comunicadores, lideranças indígenas, mestres da cultura, produtores culturais, gestores e demais agentes que constroem e fortalecem a diversidade cultural da Amazônia.
A capital acreana sedia no próximo dia 11 de dezembro o Fórum Das Amazônias: Linguagens e Identidades – Cultura em Movimento Criativo. O evento, realizado pelo Comitê de Cultura do Acre, marca o encerramento das ações promovidas pelo comitê em 2025, que se consolida como um espaço fundamental para a reflexão estratégica da vida cultural no estado.
“Linguagens e Identidades” é o terceiro fórum de cultura promovido pelo Comitê, que em novembro de 2024 realizou no território indígena Puyanawa (Mâncio Lima) o Fórum Cultura do Vale e, em março deste ano, consolidou o Fórum Cultura do Vale Acre Purus.
Com uma programação rica e diversificada, o Fórum das Amazônias acontece no Centro de Convivência da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, das 14h às 19h30, e está sendo organizado para reunir o ecossistema cultural amazônico, incluindo artistas, pesquisadores, escritores, comunicadores, lideranças indígenas, mestres da cultura, produtores culturais, gestores e demais agentes que constroem e fortalecem a diversidade cultural da Amazônia.
O encontro visa refletir sobre os caminhos percorridos, celebrar conquistas, ampliar diálogos e, crucialmente, projetar novas possibilidades para 2026. A essência do evento é destacar a riqueza das linguagens e identidades que formam as Amazônias, movimentando a cultura de forma criativa, plural e viva.
Claudia Toledo, coordenação do Comitê de Cultura do Acre, reforça que a presença dos diversos agentes é essencial para fortalecer a rede cultural e enriquecer as discussões sobre cultura, território e identidade.
“Fico muito feliz de poder encontrar com as pessoas, sentarmo-nos numa grande roda de conversa, na qual, com certeza, vão sair muitos desabafos, muitas trocas de energia e de carinho, de afeto e de experiências, vivências, saberes e fazeres. O fórum vem para isso, para nos fortalecer, agregando nove municípios das regionais do Alto Acre, Baixo Acre e Purus. A proposta é discutir esse empreendedorismo cultural dos territórios, das pessoas que trabalham com arte e cultura. Como sobreviver nesse meio? Como ressurgir? Como ressignificar as coisas e continuar mantendo cultura e arte vivas em todos os territórios?”, salienta Claudia.
Programação
A programação do Fórum das Amazônias será estruturada em dois momentos centrais de debate, além de apresentações artísticas:
1. Painel de Abertura: Linguagens e Identidades: Cultura em Movimento Criativo
O tema central aponta para a força dinâmica da Amazônia como território vivo de múltiplas expressões, saberes e modos de existir. O conceito de “Linguagens” abrange não apenas os idiomas, mas as formas de narrar, cantar, escrever, representar, cultivar e vivenciar o mundo — incluindo linguagens corporais, espirituais, artísticas, científicas, tradicionais, urbanas e ancestrais.
“Identidades” aborda as trajetórias individuais e coletivas que emergem desse mosaico diverso, como identidades indígenas, ribeirinhas, negras, periféricas, acadêmicas, artísticas e comunitárias, todas em constante transformação. Já “Cultura em Movimento Criativo” revela a capacidade desse território de reinventar-se, produzir novos sentidos e fortalecer memórias.
O painel contará com a participação de convidados de notório saber e experiência na região:
Karla Martins: Contadora de histórias.
Raquel Ishii: Doutora em Letras: Linguagem e Identidade pela UFAC (2023) e Professora Adjunta no Curso de Letras/Inglês da UFAC.
Toinho Alves: Jornalista e escritor.
Francisco Puyanawá: Mestre da medicina da floresta.
Claudia Toledo – coordenadora geral e pedagógica do Comitê de Cultura do Acre
2. Roda de Conversa: Autogestão em Linguagens e Identidades
O segundo momento promoverá um diálogo vivo e horizontal sobre como as práticas de autogestão fortalecem identidades, dinamizam as linguagens artísticas e ampliam a autonomia e a sustentabilidade das iniciativas criativas na Amazônia, envolvendo artistas, coletivos, mestres tradicionais e organizações culturais.
Participam do bate-papo: a presidente da Federação de Teatro do Acre (Fetac), Brenn Souza, a produtora e cineasta Isa Amsterdam, a presidente da Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (Sitoakore), Xiú Shanenawá, a socióloga Jayce Brasil, artista de Hip Hop Mag Da Lina e o Movimento de Artistas Huni Kuin (Mahku).
Realização
O evento contará ainda com diversas apresentações artísticas que incluem poesia, slam e música, destacando a participação de artistas indígenas. O projeto é uma realização do Comitê de Cultura do Acre, com financiamento do Governo Federal, por meio do Programa Nacional dos Comitês de Cultua (PNCC), e conta com o apoio da Universidade Federal do Acre (Ufac) e da Semana Varadouro, promovida pela Eita Pau Produções.